• HENRIQUE KOIFMAN (também postado no LinkedIn)

O mundo além do release


Uma mesma notícia – e, de forma mais ampla, informação – pode ser interpretada de maneiras diferentes. Peço desculpas por essa introdução tão óbvia, mas, às vezes, é preciso começar de um ponto comum para chegar a novos pontos. Mais um clichê… Ok, vamos logo ao assunto. Há algum tempo, domina os meios de comunicação algo como um daqueles “fenômenos-manada”. Boa parte dos veículos – jornais, revistas, canais de TV, sites, blogs, páginas e influenciadores digitais – se baseiam quase que somente no que lhes dizem releases e outros comunicados “institucionais” para produzirem seus conteúdos. E não há nada contra usar essas informações. O problema é se limitar a elas.

Por isso, embora tenha origens, idades, formações, bagagens, gostos, opiniões, públicos e objetivos muito variados e atue em veículos tão diferentes, a imensa maioria escreve mais ou menos as mesmas coisas sobre os mesmos assuntos. Pensei nisso quando ontem, procurando um assunto para postar em nosso blog sobre automóveis no portal do Globo, me lembrei de ter separado um material de divulgação de uma nova marca de carros para usar em um momento como aquele. O material era ótimo, as fotos bacanas, mas resolvi atualizar e aprofundar um pouco a coisa, além dos aspectos visuais e técnicos dos futuros novos modelos de luxo.

Percebi que aquela marca desconhecida e que tem nome de remédio estava lançando modelos elétricos em um segmento que, por enquanto, as demais montadoras parecem não enxergar como atraente, o dos grandes utilitários – picapes e SUVs – 4x4 de luxo, aptos a andar em caminhos ruins.

A Rivian – esse é o seu nome – apresentou seus modelos em salões do Automóvel dos EUA e já faz pré-venda em seu site (visite aqui), com as primeiras entregas prometidas para o ano que vem. Grandes picapes e SUVs, não por acaso, são justamente os tipos de veículos de passeio mais vendidos na terra do Tio Sam. E estão entre os mais desejados em boa parte do mundo.

Apesar disso, a maioria absoluta dos lançamentos e protótipos de carros elétricos que vemos por aí é composta de modelos compactos urbanos de baixo custo e – caso da Tesla – carros de luxo somente para o asfalto (mesmo o SUV da marca tem essa característica). Ou seja, a novata parece estar em posição muito privilegiada no mercado, mas será que tem condições e fôlego financeiro para avançar no espaço deixado pelas outras, ou será que vai acabar como mais uma das inúmeras promessas frustradas de sucesso?

Contextualização e o famoso viés econômico

Pesquisando um pouco mais, descobri que a Rivian tem entre seus investidores o renomado grupo japonês Sumitomo e, também, o saudita Abdul Latif Jameel, que estão longe de ser “aventureiros”. E que, na semana passada, recebeu um aporte de US$ 700 milhões da gigante do varejo virtual Amazon. Esta, ao que parece, está interessada em substituir a frota de vans movidas a diesel de seus parceiros de logística por veículos mais “limpos”.

Descobri também que, somente em 2018, a gigante da internet encomendara 20 mil novas vans convencionais para esses parceiros. O panorama, portanto, é bastante favorável ao sucesso da Rivian.

Pode ser que, ainda assim, nada do que parece estar se desenhando efetivamente aconteça, ou que tudo se desenrole de outra maneira. Mas o fato é que, por trás daquelas fotos e fichas técnicas de grande utilitários elétricos, com jeitão de Range Rover pós-modernos, havia muito mais conteúdo a se explorar. Informações que não estavam nos releases – nem nas matérias publicadas na maioria dos veículos. E, além de tudo, descobrir e reunir essas informações foi bem mais divertido do que simplesmente reescrever o mesmo.

O mesmo princípio pode se aplicar perfeitamente para qualquer tipo de conteúdo que se vá produzir, seja qual for o público, o cliente ou seu objetivo. Ir além do óbvio fará com que esse conteúdo se destaque em meio a um ambiente cada vez mais congestionado por informação – grande parte dela, repetitiva.

Para ler o post que escrevi para o Globo, clique aqui. (se não for assinante, use o seu login do Facebook).


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