• Henrique Koifman

Afinal, quanto custará o novo VW Nivus?


Na semana passada, a VW apresentou virtualmente à imprensa um novo carro, o Nivus (acima). Segundo a montadora, ele combina características de um SUV com outras de um cupê esportivo. Ou seja, é o que há tempos é chamado no mercado de “crossover”. Com um desenho e recursos interessantes, que mostram uma certa evolução em relação ao restante linha da marca, ele tem como base a mesma plataforma dos irmãos Polo, Virtus e T-Cross. Segundo os apresentadores, esse modelo é o primeiro de um novo “lineup” da Volks, o novo padrão de design que deverá dar o tom para todos os demais produtos a seguir. Design este que, vale destacar, foi criado aqui na América do Sul, ora viva!



Em relação a este último, que até aqui era “O SUV” de entrada da VW no Brasil, o Nivus tem sete centímetros (4.266 mm) a mais de comprimento, mas um entre-eixos ligeiramente menor (2.566 mm contra 2.651 mm do T-Cross). Perde também, por apenas cinco litros, na capacidade do porta-malas: 415 contra 420 litros, e por quase nada na largura: 1.757 mm contra 1.760 mm. A diferença volta a crescer um pouquinho na altura: 1.493 mm contra 1.558 mm – o que se explica na diferença de desenho de ambos. Mas por que eu estou fazendo essa comparação de medidas?



Comparo porque, pelo que entendi na apresentação, ambos os carros estão situados na mesma faixa (ou bem próxima, com intercessões) de mercado. O que os difere é “o estilo” – aspas porque isso não se refere apenas ao desenho da carroceria, mas também ao comprador projetado para cada um deles.


Para o pessoal do marketing da empresa, enquanto o dono do T-Cross seria mais, hum, conservador – no sentido do tradicionalismo – e comportado, talvez um pai ou mãe de família, o do novo Nivus é um jovem arrojado, antenado com as novidades, mais ligado a tecnologia e com jeitão mais esportivo. Sim, você já ouviu a descrição desta segunda persona – é assim que o pessoal da comunicação e do marketing denomina esses personagens projetados para encarnar um futuro cliente. Ela é a mesma para 9 entre cada 10 modelos lançados no Brasil desde que eu comecei a cobrir o segmento, lá nos anos 1990.



Deixando o meu sarcasmo de lado, uma diferença em relação ao T-Cross e aos demais VW atuais que chama quase tanto a atenção no Nivus quanto suas linhas bacanas é o seu pacote tecnológico, especialmente no que diz respeito à conectividade. Ele traz uma telona de 10 polegadas em alta resolução no painel com uma central de multimídia que, segundo

os técnicos, foi totalmente desenvolvida no Brasil. Por meio dela, é possível baixar aplicativos em uma loja da própria montadora, e emparelhar smartfones Android e Apple sem a necessidade de conexão física (cabos). No painel, outra tela de tamanho idêntico emula os mostradores, podendo ser configurada de acordo com o gosto do freguês e comandada por botões no volante, no mesmo sistema utilizado na nova geração do irmão hatch Golf. Há ainda recursos de segurança interessantes, como o ACC, controle automático da distância em relação ao carro da frente.



Sob o capô, pelo menos por enquanto, a única opção é o (bom) motor 200 TSI, 1.0 litros turbo de três cilindros, que rende 128cv de potência e 20,4 kgfm de torque. Como no irmão mais quadrado T-Cross, além deste há ainda a opção do mais parrudo propulsor 250 TSI – com 4 cilindros e 1.4 litros, gerando 150 cv e 25,5 kgfm –, pressuponho que, em seguida, surgirá uma versão mais cara do Nivus também equipada com esse segundo motor que, aliás, combinaria até melhor com o tal estilo esportivo de sua carroceria. Ambos os modelos usam um câmbio automático de seis velocidades.



Para encerrar a conversa, hoje, o T-Cros está disponível por versões a partir de aproximadamente R$ 70 mil (motor 1.0), chegando aos quase, quase R$ 110 mil (1.4). Embora os preços do Nivus ainda não tenham sido revelados, é difícil acreditar que ele, com todo o seu show tecnológico e aura de novidade, vá custar o mesmo que alguma versão de seu irmão SUV, sob pena de matá-lo no mercado.

Quem sobreviver, verá. (com o perdão da, no momento, mórbida ironia)

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