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Rebimboca agência de comunicação e produção de conteúdo

Rio de Janeiro - Brasil

© 2020  Rebimboca Comunicação

  • Henrique Koifman

O brutamontes Hummer, quem diria, vai ser elétrico

Grandes mudanças de comportamento – e de consumo – raramente acontecem de uma hora para a outra. Por motivos óbvios, elas levam anos – e, no caso deste post aqui – décadas para efetivamente acontecerem. Às vezes, no entanto, a gente fica com a sensação de que uma determinada novidade surgiu "de repente", não porque esse novo produto ou tendência tenha sido mantido em segredo, mas porque faltava um fato marcante – ou como dizem os matemáticos e filósofos, um "ponto de inflexão" mais significativo para que percebamos e acreditemos que a tal novidade veio para ficar. Digo isso a respeito do que você vê no vídeo abaixo, um comercial "teaser" (provocador de interesse), apresentado na semana passada na TV e canais de streaming americanos durante um jogo do Super Bowl – o a mais importante evento esportivo dos EUA e, também o que tem a tabela de anúncios mais alta da televisão mundial. E que tinha como estrela um dos principais nomes do esporte hoje, Lebron James. Um tremendo "barulhão" para anunciar uma intitulada "revolução silenciosa" – "quiet revolution", no vídeo –, cá entre nós.


Mas afinal, porque toda essa introdução e tanto barulho só por (mais) um carro elétrico? A questão é justamente o carro. Se praticamente todos os modelos elétricos do mercado americano eram até muito recentemente modelos de passeio ou, no máximo, SUVs (utilitários de passageiros) familiares, agora a eletrificação dos veículos passou para um novo patamar. O leitor pode me lembrar que, aqui mesmo nesta Rebimboca, já falamos da grande picape elétrica da Tesla e mencionamos um protótipo de picape "limpa" da Ford, apresentado em um desses salões do automóvel. Sim. A Tesla vai lançar uma picape e a Ford pensa em oferecer uma versão elétrica do veículo mais vendido nos EUA, sua picapona da série F. Nada disso, porém, se equipara à estratégia de lançamento do novo Hummer EV.



A despeito do sucesso e do valor de mercado, a Tesla ainda é considerada uma alienígena na indústria automobilística e, principalmente, na cultura norte-americana. Coisa de jovens executivos descolados. E, apesar de demonstrar que pretende ir pelo caminho dos elétrons, a Ford ainda não marcou uma data para isso, nem parece querer desvincular ainda sua imagem da boa e velha gasolina. A GM – dona da Hummer – sim e esse comercial aí é uma espécie de compromisso público definitivo. No site da empresa, informa-se que o novo carro estará disponível nas lojas no outono de 2021.



Um ícone americano

Como a picape da Ford, o Hummer é um ícone automotivo para os americanos. Projetado para uso militar, ele começou a ser utilizado no começo dos anos 1980 e foi um coadjuvante constante em todas as mais importantes "ações" de força do Tio Sam, como as no Iraque e no Afeganistão.



Qualquer um que assista a filmes, programas e séries de TV conhece bem a ligação entre a maioria dos cidadãos norte-americanos com suas forças armadas. E isso explica porque, em pouco tempo, versões civis do pouco prático – é, por exemplo, muito mais largo que um carro comum e simplesmente não entra na maioria das vagas e garagens –, beberrão e nada confortável Hummer H1 (o primeiro, acima) chegaram às lojas.



Depois vieram sua variações mais bem acabadas e confortáveis, a H2 (o amarelo) e a reduzida para medidas compatíveis com ruas e estacionamentos, H3 (abaixo). A General Motors retirou o último deles de linha em 2010.





Trazer esse ícone de volta, justamente em uma versão EV (de veículo elétrico, em inglês) tem uma tremenda simbologia. Feito para vencer duros combates e guerras, para levar em segurança soldados sob o fogo pesado do inimigo, o Hummer renasce com a missão de conquistar uma faixa do mercado dos patrióticos americanos. Menos em números que em percepção, diria eu. Mas isso é, de fato, fundamental. Afinal, a própria General Motors já vem tentando, sem muito sucesso, vender automóveis elétricos (comuns) por lá, desde a virada do século. Agora, parece ter entendido que, mais do que mudar simplesmente os produtos, é preciso mudar as mentalidades e um amado guerreiro pode ser uma tremenda ajuda nessa empreitada. Eis aqui o "por trás das câmeras" do vídeo, com o astro Lebron James dando seu depoimento (bem ensaiadinho) sobre o carro:


Para fechar, abaixo uma simulação garimpada na internet, prevendo que o futuro carro será uma picape de cabine dupla (o "corpo" escolhido é de uma Silverado atual), algo até bem possível, já que essa é a configuração preferida pelos americanos.



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