• Henrique Koifman

Vida minimalista: sete dias com o Fiat Mobi Drive 2020


Em fevereiro último, passei uma semana com o carrinho vermelho das fotos, um Fiat Mobi Drive 2020 novinho e vermelhinho. Neste post e no vídeo da TV Rebimboca (acima), falo dessa experiência, marcada essencialmente por uma rotina de trajetos urbanos e trânsito em várias velocidades e intensidades; em noites e dias, de chuva e de sol. Vamos lá?


O Mobi foi lançado em 2016, já como modelo 2017 e é hoje o carro de entrada da Fiat em nosso mercado. Ele é curtinho, estiloso e, pelo menos nessa versão Drive equipadinha que testamos, muito conveniente para se mexer no trânsito urbano. Nessa versão, o motor é um Firefly 1.0 de três cilindros e seis válvulas, que, com álcool, rende até 77cv beira os 11 kgfm de torque.


Já os outros Mobi mais baratos – incluindo o Way, com visual aventureiro – trazem sob o capô um outro 1.0, mais antigo, com quatro cilindros. Usando somente gasolina, ao final de meu teste medi cerca de 12 km percorridos para cada litro, nada mau.


Personagem de mangá

No visual, eu não diria que o Mobi é bonito, não pelo menos naquele sentido clássico em que costumamos avaliar os automóveis. Seu projeto foi desenvolvido aqui no Brasil, partindo da plataforma e das linhas do Uno da segunda geração – que tem muito do Panda europeu, aliás. Isso não quer dizer que ele não tenha lá sua personalidade própria.

Tem personalidade sim. Mas dadas as suas proporções e proposta, ele tem um desenho que, virtualmente, veste seus passageiros e sua parte mecânica com um mínimo de carroceria. Quer dizer, veste bem os dois, motorista e passageiro nos bancos da frente, deixando um espacinho apertado para mais dois (três, só se forem crianças pequenas) no banco de trás.


Não que ele seja exatamente um caixotinho, até porque suas linhas são, no geral, arredondadas. Mas digamos que lembra mais um daqueles bichinhos estranhos e simpáticos dos mangás japoneses que uma fera, máquina contemporânea para o jovem moderno ou sei lá o quê mais arrojado que os marqueteiros automobilísticos tentam nos convencer a enxergar nos produtos que vendem.


Ainda assim, o Mobi é um daqueles carros com os quais você consegue se afeiçoar relativamente rápido. Não porque ele ofereça algum recurso ou desempenho arrebatador, mas justamente por “vestir” de forma confortável e cumprir, com desenvoltura e simpatia o papel que dele se espera, ou seja, levar você daqui para lá com algum estilo. Sem incomodar.


A verdade é que dirigir o pequeno Mobi drive com esse animado motor de três cilindros por ruas e avenidas pode ser até prazeroso. O som do propulsor é gostoso e, depois de um início de movimento um pouquinho mais amarrado, ali entre os 1.000 e os 2.000 e poucos rpm, ele sobe rápido de giro e dá conta, animadinho, da maioria das manobras que você precisa fazer em uma rotina urbana. Rotina em que, cá entre nós, carrinhos pequenos e com esse tipo de aptidão costumam ser melhores de se usar que modelos maiores e mais potentes, especialmente para solteiros ou casais sem filhos – pois o espaço para passageiros atrás é quase simbólico.


Dois principais rivais

O Fiat Mobi Drive 2020 (que, equipado como o que usei no teste, custa R$ 47.260) tem, hoje, dois principais concorrentes subcompactos em nosso mercado. São eles o Renault Kwid em sua versão mais cara, a Outsider (a partir de R$ 45.790) e, ao menos por enquanto, o VW up! MPI (R$ 49.590 completo, sem opcionais). Digo “por enquanto” porque o futuro do pequenino VW aqui no Brasil é incerto – há quem diga que ele não passa deste ano, o que eu lamento. No vídeo, faço algumas comparações numéricas e práticas entre os três, que podem ajudar em caso de decisão de compra.

Tamanho não é novidade

A ideia de construir carros compactos pensando nos deslocamentos nas grandes cidades não é nova. Com alguma licença poética, não seria absurdo dizer que esse conceito surgiu praticamente junto com o próprio automóvel. Afinal, aquele que é considerado hoje “o primeiro carro” - o triciclo Benz Patent-Motorwagen, patenteado em 1886 por Carl Benz, era pequenino e tinha exatamente essa proposta. Ao longo dos mais de 100 anos da história do automóvel, centenas de urbaninhos fizeram mais ou menos sucesso nos quatro cantos do mundo. Quer dizer, três cantos, pois, fora do México, na América do Norte eles nunca se criaram muito, não.


Esse segmento, aliás, é uma das maiores especialidades da Fiat, que já pôs nas ruas verdadeiros pequenos ícones como o Topolino e o Cinquecento. É mais ou menos dessa árvore genealógica que brotou o Mobi.

Também no vídeo, faço uma análise bem detalhada dos prós e contras do carrinho. Eis um resumo:

Gostei:

Praticidade no trânsito e para estacionar

Consumo de combustível

Motor

Não gostei:

Nível de ruído

Bancos (moles demais)

Por fora, porta-malas só abre enfiando a chave na fechadura

Mobi Drive 1.0 2020

Ficha técnica (dados do fabricante; Gasolina/Etanol)

Motor:

dianteiro, transversal, três cilindros

6 válvulas, 999 cc

Potência (cv/rpm): 72 @ 6.000 / 77 @ 6.250

Torque (kgfm) 10,4 / 10,9 @ 3.250 rpm

Desempenho: aceleração de 0 a 100 km/h em 12 seg.

velocidade máxima 164 km/h

Consumo: cidade 13,8/9,7; estrada 16,4/11,5

Transmissão: tração dianteira, câmbio manual de 5 marchas

Freios: dianteiros a disco sólido, traseiros a tambor

Direção: com assistência elétrica

Dimensões (mm): comprimento 3.566, largura 1.633,

altura 1.501, entre-eixos 2.305, altura do solo 156

Capacidades (litros): porta-malas 215, tanque 47

Peso: 945 kg

Suspensão: dianteira independente, tipo McPherson;

traseira por eixo de torção

Rodas e pneus: liga leve 5.5 X 14", pneus 175/65 R14

Preço do Mobi a partir de R$ 33.490

(versão Easy, com motor 1.0 de 4 cilindros)

Carro idêntico ao do teste (com opcionais): R$ 47.260


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