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Carros híbridos com etanol são boa opção para o Brasil



Testes promovidos pelo grupo Stellantis apontam que no, Brasil, usar um carro movido por um motor a explosão a etanol proporcionaria uma redução nas emissões de CO2 proporcionalmente maior que a obtida por um modelo puramente elétrico funcionando na Europa. Daí que combinar esse tipo de combustível com a eletricidade em um modelo híbrido seria ainda mais sustentável em termos ambientais – isso sem falar na eficiência, ou seja, economia. Difícil de acreditar? Falo sobre isso – e explico como – neste post.


Que o futuro quase imediato da indústria automobilística passa obrigatoriamente pela adoção generalizada de motores elétricos, isso já é praticamente um consenso entre acadêmicos, indústria e os jornalistas – mais e/ou menos – especializados. Isso porque, além da “descarbonização” dos carros, vital para combater o aquecimento global, os ganhos de eficiência com esses propulsores é inegável. Se esses motores trabalharão sempre sozinhos e o que vai alimentá-los com a energia necessária para que funcionem, no entanto, ainda é tema de boas discussões. Baterias, células a hidrogênio e os sistemas híbridos são as principais opções do momento, e não há nada que obrigue a todo o mercado, em todas as regiões e níveis de desenvolvimento adotarem somente uma delas.


Este mês, a Stellantis – conglomerado que reúne, entre outras, as marcas Fiat, Chrysler, Dodge, Jeep, Ram, Peugeot e Citroën – divulgou os resultados de testes de emissões de CO2, que realizou com algumas dessas opções, comparando-as com os modelos a combustão tradicionais e levando em conta alguns outros fatores, como a origem da energia usada para recarregar as baterias.


Como foi o teste

Nos testes, foram comparados quatro tipos de fontes energéticas, cada uma delas usada em um carro diferente, rodando 240,49 km nas mesmas condições: um automóvel somente a combustão abastecido com etanol, outro com gasolina comum (E27), um terceiro BEV (100% elétrico) com baterias abastecidas por energia gerada no Brasil e outro, também BEV, recarregado com energia gerada na Europa (numa simulação do que seria a matriz energética do Velho Continente, claro).

Segundo a empresa, foram utilizadas nessa comparação uma metodologia e uma tecnologia de conectividade desenvolvidas pela germânica Bosch, considerando não somente a quantidade de CO2 emitida em relação à propulsão, mas também as emissões que todo o processo de geração e consumo dessa energia usada gerou. Algo que os técnicos chamam de uma conta ‘do poço à roda’ (well-to-wheel) ou – ‘do campo à roda’, no caso de biocombustíveis como o etanol.

Os resultados em emissão de CO2 equivalente obtidos, medidos em quilos, foram os seguintes:


1 - Gasolina (E27): 60,64 kg CO2eq

2 - 100% elétrico (BEV) com energia europeia: 30,41 kg CO2eq

3 - Etanol (E100): 25,79 kg CO2eq

4 - 100% elétrico (BEV) com energia brasileira: 21,45 kg CO2eq


Se você está desconfiado dos resultados acima, eu explico: diferentemente do Brasil, onde a chamada matriz energética – que é o conjunto de fontes geradoras de energia – é predominantemente renovável (hidrelétrica, eólica e solar) –, na Europa, essa matriz ainda depende principalmente de fontes não renováveis, como óleo, gás e até carvão mineral, todas elas geradoras de emissões. Além disso, a produção de etanol, somando-se a quantidade de CO2 que as plantações de cana retiram da atmosfera ao que seus processos geram, pode ser até neutra.



Se o carro for híbrido, melhor ainda


Mas a coisa fica ainda mais interessante se a gente pensar que o mesmo etanol pode ser utilizado para alimentar carros híbridos, que são ainda mais eficientes, econômicos e menos poluentes que os movidos somente pelo combustível de cana e a propulsão elétrica. Isso pode funcionar da mesma maneira que os atuais híbridos – como os Corolla sedã e Cross, por exemplo –, com o motor elétrico apenas apoiando o outro, principal, a combustão. Ou no sistema oposto, com motor a combustão, menor e estacionário, servindo apenas como um gerador, alimentando o propulsor elétrico que, este sim, movimenta o carro de forma mais eficiente – como nos modelos com a tecnologia e-Power, da Nissan.

E é nessa solução híbrida, seja qual for, que, modestamente, eu aposto minhas fichas. Se não para ganhar uma bolada, como forma de desejar um bom futuro para o nosso país. Uma solução que resolve a questão dos poucos pontos de recarga para carros somente a bateria que estão disponíveis por aqui, fora dos grandes centros urbanos, por enquanto. E que pode, ainda. contornar as oscilações (geralmente para cima) do preço do petróleo, sempre regidas por fatores internacionais e, de quebra, valorizar um produto e uma tecnologia que já dominamos há décadas – e que pode, inclusive, ser exportada de forma mais significativa.






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