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Fiat Strada Volcano automática é “picape nutela”?

Por Henrique Koifman - 22/07/2022


Por que colocar um câmbio automático em uma picape leve de cabine dupla? A esta altura do campeonato, quando depois de décadas de turrice boba os motoristas brasileiros estão preferindo veículos em que não precisem fazer ginástica com o pé esquerdo a cada voltinha pelo trânsito, acho que essa pergunta nem precisaria ter sido digitada aí em cima, não é, amigo leitor? Mas como interrogações costumam render bons índices de leitura, confesso, apelo aqui mais uma vez a elas. Até porque, confesso, estava até curioso quando fui buscar essa Fiat Strada Volcano que você vê nas fotos na concessionária, para minha semana de avaliação.



Eu e a atual (e ainda nova) Fiat Strada Volcano já nos conhecíamos, e você pode ler ou reler aqui (https://blogs.oglobo.globo.com/rebimboca/post/nova-fiat-strada-cabine-dupla-vale-pena-confira-nosso-test-drive.html) o meu primeiro test-drive com ela. E, abaixo, assistir ao vídeo que produzimos com o modelo para a TV Rebimboca. Resumidamente, em relação à sua geração anterior, ela evoluiu bastante, mantendo a maioria de suas melhores características.


Elogios em excesso? Bom, não por acaso, esse é o modelo de carro mais vendido em nosso país neste momento – eu escrevi “carro”, mesmo, pois é campeã desbancando compactos mais baratos e SUVs da moda. Isso não quer dizer, claro, que não tenha lá as suas coisas chatinhas.




Uma delas é o excesso de ruído interno, menos do motor, mais das rodas e da caçamba. Falta, quem sabe, de uma forração interna mais generosa, sobretudo na parede atrás dos bancos traseiros. Outra é o parco espaço para os passageiros no banco de trás, que tem ótimo acesso graças às quatro portas, mas com o encosto vertical e a pouca distância para os bancos da frente, não é indicado para adultos em viagens mais longas.



Mas faço este post para falar especificamente da nova opção de câmbio automático CVT, disponível nas duas versões mais caras com cabine dupla da Strada, a Volcano e a Ranch. Logo ao sair da concessionária – e cair no meio do trânsito de uma típica manhã de dia útil no Rio –, agradeci aos céus a ausência do pedal esquerdo. Equipada com o honestíssimo motor 1.3 de 8 válvulas Firefly, vazia, a Strada seguiu tranquilinha pelo anda-e-para da Zona Sul. Melhor, só se tivesse um start-stop, aquele sistema que desliga e religa o motor nessas situações, ajudando na economia e aliviando um pouco mais suas emissões.




Devagarinho, os efeitos de sua suspensão traseira mais dura – apropriadamente projetada para levar peso – eram quase imperceptíveis. O ar condicionado funcionava bem (e em alto e bom som, também) e uma estação de rádio bem reproduzida a bordo era boa companhia.



Pouco depois, já nas pistas livres do Aterro do Flamengo, deu para experimentar acelerações mais intensas, em retornos e retomadas. Aí o “temperamento CVT” do câmbio automático apareceu, dando a impressão de manter (e mantém, mesmo) os giros do motor fixos em determinada faixa, independentemente da marcha simulada (são sete) que a caixa escolher. Como o motor 1.3 é daqueles que gosta de girar e trabalhar em rpms mais altas, na minha memória, a versão manual do carro parecia um pouco mais esperta – e divertida.



Mas aí eu me lembrei das borboletas para trocas manuais atrás do volante. Com elas, ainda que um certo delay (atraso) em algumas passagens, dá para controlar melhor a disposição do motor e, pelo menos na sensação, fazer o carrinho andar de forma mais vigorosa. E, pouco depois, vi a teclinha “sport” espetadinha no alto do painel. Com ela acionada, as coisas ficam mais interessantes ainda, o motor permanece “cheio” quase o tempo todo e, finalmente, a Strada mostra que tem genes em comum com aqueles outros Fiats leves e divertidos que já foram produzidos por aqui. Além de esticar as tais marchas simuladas, essa tecla faz com que o acelerador fique mais atento e a direção se torne um pouquinho mais firme. Nada que transforme a picape em um pequeno esportivo, claro, mas bem interessante para quem curta dirigir com um pouco mais de interação com o carro, de vez em quando.


No resto do tempo, comportadinho, o conjunto garante um bom ritmo de condução e, também, boa marcas de consumo: nos cerca de 300 km que rodei, metade no trânsito mais ou menos livre, metade em rodovias, obtive a ótima média de 14 km/litro de gasolina.




Nos trechos de estrada, aliás, com mais passageiros a bordo e com subidas de serra (não muito longas) no caminho, a Strada foi bem direitinho. Mostrou força suficiente nas subidas, sem indecisões do câmbio, boa estabilidade – para um carro alto do chão, que é – e passou confiança nos freios.


Não vou me alongar mais sobre acabamentos, painel e outros recursos porque falo bastante sobre isso no vídeo e na matéria anterior. Como, além do câmbio, não há praticamente novidade alguma, peço novamente que deem uma olhadinha nessas postagens de 2020.



Conclusão


No final das contas, como acho que dá para perceber no texto acima, é ótimo poder contar com câmbio automático em uma picape leve – como, de resto, em praticamente qualquer tipo de carro. E, como conta com cabine dupla e quatro portas, essa Strada até se aproxima um pouco, mesmo, de um carro de passeio.



Tendo em mente que ela é menos confortável e espaçosa para os passageiros que um desses carros ou que um bom SUV – como seu primo, o Fiat Pulse, que com o mesmo pacote de motor e câmbio, custa até um pouco menos –, ela até pode ser uma boa solução para quem precisa dividir o carro entre o trabalho (com alguma carga) e o lazer, ou mesmo a família. Nesse caso, com o “acúmulo de funções” e de turnos, ter um câmbio automático pode tornar a Strada ainda mais atraente. É nutela? Bom, se você prefere compota de jiló, bom apetite!

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