Luce, a primeira Ferrari Elétrica, está chegando!
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Por Henrique Koifman – fotos de divulgação / internet

A Ferrari anunciou estes dias o nome do novo modelo que lançará até o final deste ano: Luce, que quer dizer luz, em italiano. Um pouco menos explícito que Elettrica – nome que fora divulgado inicialmente – mas ainda com tudo a ver como o carro, que será totalmente elétrico, o primeiro movido somente por baterias da marca de Maranello.
Além do nome, a Ferrari divulgou também imagens (acima, no vídeo capturado do site da marca, e ao longo deste post) com alguns detalhes de partes do interior do modelo. E por elas, já dá para a gente comprovar, por exemplo, que ele será um 2+2, que é como se chamam os coupés esportivos de quatro lugares. Digo comprovar porque já circulam pela internet uma série de simulações de como será o aspecto externo da Luce, quase todas estranhamente “iguais”(veja uma delas abaixo) – e que, entre outras coisas, preveem que ela tenha quatro portas e traseira do tipo “hatch”. Uma configuração que, de certa forma, lembra a antiga Ferrari FF da década passada, e que tive o prazer de guiar.

Tradicionalmente, nesses modelos 2+2, esses dois assentos extras na parte de trás costumam ser bem apertados, quase quebra-galhos para um fim de festa. Mas na Luce, o tratamento para esses passageiros é tipo camarote da Fórmula 1, com bancos de couro, saídas reguláveis de ar-condicionado e até uma tela no console central por onde eles podem acompanhar várias informações e os dados de performance.

Essas imagens mostram também o painel frontal, com instrumentos, multimídia, saídas de ar e o nome do modelo estampado em frente ao carona – onde seria o porta-luvas. E ainda o console central, com um nicho em que a chave do carro é depositada, mudando de cor no momento em que isso acontece.

Outro detalhe interessante, e meio diferente, é que o painel de instrumentos esta instalado sobre a coluna de direção (acima). Assim, ele mantém sua posição em relação ao volante, mesmo quando o motorista regula altura e profundidade de sua preferência. Embora tenha como base uma tela de tecnologia OLED Samsung, com alta resolução, esse painel tem em sua aparência básica três mostradores analógicos redondos, com velocímetro, medidor de consumo de energia e um indicador da força G, todos recobertos por lentes que dão uma impressão totalmente 3D (e retrô) da coisa, lembrando as Ferrari dos anos 1950 e 60.

A tela da multimídia, de 10 polegadas, segue um princípio estético semelhante, com um formato quadrado com cantos arredondados que, de certa forma, lembra TVs antigas. E ela tem alças metálicas nas laterais, podendo ser puxada e inclinada na direção do piloto ou do carona. Nela, há uma enorme quantidade de configurações possíveis. Mas o básico, mesmo – limpadores de para-brisas, controles do ar-condicionado, seletores de modo de condução etc. – é feito por chaves e botões físicos, instalados no painel e no volante – que tem o visual clássico das Ferrari contemporâneas.
Nas laterais desse volante, estão as igualmente tradicionais borboletas para troca de marchas – só que, neste caso, servem para dosar o nível de torque aplicado às rodas, já que a Luce conta com apenas duas opções de marcha: à frente e à ré.

Ferrari Luce tem quatro motores
A parte mecânica da Luce, quer dizer, parte de propulsão elétrica, já tinha sido revelada no ano passado. Ela inclui quatro motores síncronos, que somam mais de mil cavalos de potência: dois no eixo dianteiro, produzindo 286 cv, e outros dois no traseiro, gerando mais 843 cv – e quem gosta um pouquinho de carro de corrida vai entender perfeitamente essa tração mais forte nas rodas de trás. Tração que, aliás, pode ser selecionada para atuar somente na traseira, deixando a experiência de guiar até mais parecida (ou um pouquinho menos diferente) das Ferrari mais famosas.

Para alimentar tudo isso, há uma bateria com 122 kWh de capacidade, suficiente, segundo o fabricante, para garantir uma autonomia de mais de 530 km – em velocidades “normais”, não em ritmo de competição, eu presumo. Essa bateria aceita recarregamento ultrarrápido de até 350 kW, o que deve agilizar bastante os pit-stops durante as viagens.

Depois de saber de tudo isso, fiquei particularmente curioso em relação a dois aspectos da Luce. O primeiro, é quanto ao ruído produzido pelo carro, pois o “canto” dos motores V12 e V8 dos modelos do cavalinho empinado é uma de suas marcas inconfundíveis e uma Ferrari, digamos, muda, seria um choque negativo e tanto.

Minha outra curiosidade seria o que o velho Commendatore Enzo Ferrari (na foto, em Monza, em 1962) diria ao presenciar a saída desses carros pelos portões de sua fábrica, em Maranello, na velha Itália. Pensando bem, acho que quando ele soubesse que a caranga é capaz de acelerar de 0 a 100 km/h em 2,5 segundos, atingindo os 310 km/h de máxima, ele daria um sorriso meio enviesado, franziria a testa e não diria nada.
E, quem sabe, se seu amigo Federico Fellini – para quem construiu especialmente um modelo dourado, usado no episódio dirigido pelo “Maestro” no filme Histórias Extraordinárias, de 1968 – não dedicaria a ele um jocoso “luce, motore, azione!”?
O preço da Ferrari Luce ainda não foi divulgado, mas eu não me importaria com o aumento na conta de luz lá de casa se me enviassem uma de presente.

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