Um Mustang alternativo

Nos idos de 1966, o Mustang já era um fenômeno de vendas nos EUA. Boa parte desse sucesso se devia a sua imagem esportiva: pequeno (para o padrão-banheira local), acessível e, dependendo da versão, bem rápido, o carro levava para as garagens da classe média um pouco do espírito (e das formas) das pistas. Para reforçar essa imagem, a Ford tinha um parceiro de peso, o piloto e construtor Carl Shelby, que desde o ano anterior envenenava e assinava a série GT 350 do Mustang, variante apimentada da versão fastback do carro, produzida em pequena escala e cobiçadíssima (e hoje, cotada a peso de ouro). Mas e se, de repente, o genial Shelby rompesse com a Ford? Esta possibilidade parece ter sido o principal motivo para a montadora iniciar, naquele mesmo ano, o projeto do carro que você vê nos desenhos e nas fotos: o Mach I concept.

Apresentado ao público no Salão do Automóvel de Detroit de 1967, o carro trazia uma série de "bossas" interessantes. A começar pelo teto rebaixado, ao estilo hot rod e o para-brisas em ângulo bastante radical. A traseira tinha um feitio hatch, coisa que só chegaria aos Mustangs muitos anos depois (o desenho dos fastbacks é diferente), e havia até um aerofólio traseiro móvel, como só veríamos nos bólidos dos anos 1990 em diante.

Em cada uma das colunas laterais havia uma enorme tampa que dava acesso ao tanque de combustível, semelhantes aos carros de competição. No mesmo estilo, as janelas laterais não se abriam – os retrovisores eram soldados nos vidros e o contato com o mundo exterior (e o eventual pagamento de pedágios, por exemplo) era feito através de pequenas escotilhas transparentes com dobradiças. Pressuponho que a versão definitiva não seria assim, ou contaria com um bom e infalível ar-condicionado.

Na frente, em relação aos modelos de linha, o desenho do nariz era mais afilado e alongado e os faróis, redondos nas lojas, eram quadrados. Para estes, aliás, foram desenvolvidas duas versões, com e sem uma cobertura do tipo "bolha", em plástico. Sob o capô, o motor era o monstruoso 427 – usado, por exemplo, nos Ford GT que destronaram as Ferrari em Le Mans. Com carburação dupla, como o embarcado neste protótipo, ele gerava diabólicos 666 cv (não, eu não digitei errado, é isso tudo mesmo).

Mesmo sem ser tão rápido quanto seu nome sugere – Mach I é como os americanos chamam a velocidade do som* –, com sua aerodinâmica e motorzão, sem as restrições que o gerenciamento eletrônico impõe aos carros de hoje e com uma última marcha (quem sabe uma quinta?) bem escalonada, acho que esse carango aí passaria fácil dos 300 km/h.

(*) - Antes que você corra para o Google, a Rebimboca informa: velocidade do som = 1.228 km/h.

O Mach I "de série" (abaixo) acabou sendo lançado em 1969, como mais uma versão um pouco mais embonecada dos Mustangs topo de linha comuns da segunda geração. E fez bastante sucesso.

O Mach I "de série" (abaixo, junto de seu xará, o avião da 2ª Guerra Mundial) acabou sendo lançado em 1969, como mais uma versão um pouco mais embonecada dos Mustangs topo de linha comuns da segunda geração. E fez bastante sucesso.

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