Audi Driving Experience: carrões em uso extremo
- há 3 horas
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Por Henrique Koifman
Fotos divulgação Audi e HK

A gente lê matéria, assiste vídeo, olha na vitrine e, eventualmente, vê um deles passando na rua e pensa: pra quê comprar um carrão potente, ultrassofisticado e caríssimo como esse, se você não pode usufruir de tudo o que ele oferece nas ruas e estradas? É também para responder a esta pergunta e mostrar na prática do que os modelos que vende aqui no Brasil são capazes que a Audi promove periodicamente um evento chamado Audi Driving Experience, ou ADE. Ele faz parte de um programa global da marca, acontece sempre em autódromos e é direcionado aos donos desses carros e a alguns convidados especiais. Pessoas que, por alguns dias, podem “explorar toda a performance dos veículos da marca das quatro argolas em um ambiente seguro e com a supervisão de profissionais qualificados e pilotos profissionais experientes”, como diz seu texto de apresentação.
Pois este seu amigo aqui teve o prazer de estar entre os jornalistas e outros formadores de opinião convidados a participar, na semana passada, de um dos dias dessa adrenalinada "Experiência", que teve como cenário o belo autódromo Velocitta, no interior paulista. Ali foi montada uma espécie de Disneylândia para amantes de carros velozes – e a primeira coisa que avistei ao chegar perto da pista foi uma grande e multicolorida frota de exemplares de diversos modelos disponíveis no catálogo Audi por aqui, todos enfileirados ao sol, sedãs, cupês e SUVs, a gasolina e elétricos.

Num breve briefing, ficamos sabendo que seríamos divididos em três grupos, que se revezariam ao longo do dia entre quatro diferentes atividades e três modelos específicos. Conto tudo a seguir.
Primeiro, uma aulinha sobre tecnologia alemã
A primeira atividade que coube ao meu grupo foi assistir – parados, sentadinhos… – a uma apresentação sobre os recursos de conectividade e outras tecnologias da linha 2026 da marca. O ponto alto foi quando o apresentador nos levou ao box ao lado e, usando um aplicativo no celular, fez com que um SQ6 e-tron se movimentasse, para frente e para trás, como se estivesse entrando e saindo, sozinho, de uma vaga. Sozinho e sem ninguém em seu interior, para ficar bem claro (veja no vídeo abaixo).
Bem legal, impressionante até, mas a segunda atividade foi bem mais empolgante. Num grande pátio de estacionamento próximo, bem asfaltado, com trilha delimitada por cones e constantemente molhado por um caminhão-pipa, estavam alinhados três exemplares do RS 3 Performance Sedan. Ele é a versão mais braba do modelo A3, que já havia testado aqui para o blog e feito um vídeo para a TV Rebimboca (no link https://www.rebimboca.com.br/single-post/audi-a3-performance-black-2025-em-300-km e na na janela abaixo).
Unidunitê, salameminguê, o RS 3 escolhido foi você
Nesta versão esportiva, o carro conta com um motor turbo de cinco cilindros de 400 cv de potência, 51 kgfm de torque, tração integral permanente quattro e é capaz de acelerar de 0 a 100 km/h em breves 3,8 segundos, chegando à máxima de 280 km/h. Ele conta também com um grande pacote de itens e recursos tecnológicos e de segurança – quase todos devidamente desativados para o que faríamos a seguir.

Digo quase todos, porque um desses recursos, uma programação de performance chamada RS Torque Rear, foi fundamental para nosso exercício. Essa seleção prioriza o envio do fôlego (torque) para as rodas traseiras, permitindo “uma condução mais esportiva” e, principalmente, facilitando a derrapagem controlada – embora esse último detalhe, o controle, fique mais nas mãos e nos pés do condutor que do carro.
Espaço livre, asfalto molhado, carro muito potente com tração traseira, derrapagem… Por esses ingredientes, quem curte automobilismo já entendeu que o tal exercício que nos esperava era uma pequena sessão de drifting.

Unidunitê, salameminguê… Entre um RS 3 preto, um verde berrante e outro vermelho clássico, meu escolhido foi este último. Ajustei banco e volante, recebi algumas instruções preliminares e levei o carro para a entrada do pequeno circuito de cones. Dada a permissão para avançar, pisei firme no acelerador e movi a direção para o lado de dentro da curva, ouvindo o motor gritar e os pneus patinarem furiosos.

Ao todo, pude fazer uma meia dúzia de passagens, sempre com o pé no fundo, o câmbio travado em primeira marcha e a traseira do carro doida para ultrapassar a grade dianteira. Na primeira passagem, derrubei um dos cones, mas, a partir da segunda, com a ajuda de instruções precisas, recebidas pelo rádio, peguei o jeito, consegui controlar o movimento usando o volante (movido na direção oposta à vontade das rodas traseiras) e me esbaldei. Recebi até elogios do instrutor e fiquei todo prosa.

Na pista com o RS Q8 (e a volta à humildade)
A experiência de direção seguinte foi na pista, usando todo o interessante traçado do Velocitta – onde são disputadas provas de várias das principais categorias do automobilismo nacional, como, por exemplo, a Stock Car. O modelo definido para isso foi o grande SUV Q8, em sua versão esportiva RS Performance.
Como o A3, eu também já havia testado o Q8 aqui para o blog, em sua versão menos feroz Performance Black de motor V6, e você pode conferir a matéria aqui: https://www.rebimboca.com.br/single-post/audi-q8-substantivo-automotivo-superlativo.
Pode parecer meio estranho colocar um motor V8 4.0 biturbo de 640 cv e 86 kgfm 50 de torque em um galipão de mais de 2,5 toneladas, mais de cinco metros de comprimento e quase 1,70 m de altura… e é mesmo. Mas isso não quer dizer que o resultado não seja divertido, muito pelo contrário.

Na prática, esse RS Q8 é um bólido superlativo, capaz de acelerar de 0 a 100 km/h em 3,6 segundos, recheado de anjos da guarda e diabinhos eletrônicos que têm como missão ajudar o carro a proporcionar o máximo em performance e sensações extremas, sem matar seu condutor. Não por acaso, esse RS Q8 bateu o recorde para a volta mais rápida do circuito antigo de Nürburgring, na Alemanha, para veículos de sua categoria (SUVs).
Como já tivera algumas experiências anteriores acelerando carros em pistas, especialmente nos tempos do programa Oficina Motor, e estava "me achando" pela suposta boa performance no drifting, ao ser chamado, segui confiante. Vesti um capacete, entrei com “meu” RS Q8 preto na pista para algumas voltas atrás de um instrutor (que ia em um RS 3) e de um colega jornalista – ele em outro RS Q8 vermelho.
Íamos seguindo as instruções recebidas por rádio, sobre onde e como acelerar e frear, fazer as tomadas de curva, retomadas etc. E fui ficando para trás…

O instrutor insistia para que nos mantivéssemos próximos uns dos outros, algo como dois carros de distância, no máximo, mas meu lado inconsciente de piloto, se é que eu tenho um, é do tipo precavido, e ter de frear aquele monstro pesado, a mais de 100 por hora, juntinho da traseira de outro carro, me parecia algo impossível. Na reta maior, até que conseguia chegar mais perto disso, mas, na entrada das curvas mais fechadas…
Isso pelo menos até o final da segunda das três voltas, quando troquei de posição com meu colega do carro vermelho e pude andar imediatamente atrás do carro do instrutor – que, diferentemente de nós, guiava um RS3. Daí, vá entender por quê, minha confiança subiu um pouco de patamar e pude acelerar com mais convicção – sentindo também de forma mais forte as respostas e transferências de peso do carrão em freadas, curvas e retomadas. Uma performance digna de um ótimo esportivo, embora, em certos momentos, me fizesse lembrar mais da Fórmula Truck que de outra categoria qualquer, rs.
Por último, uma decolagem espacial: 0 a 100 km/h no RS e-tron GT
Encerrando a programação, algo que poderia soar meio banal: arrancar com um carro em uma reta e frear no final dela. Banal, não fosse esse carro um RS e-tron GT Performance, lindíssimo bólido elétrico de quatro portas com pinta de cupê de alto luxo que, em modo “Launch Control” (controle de largada, semelhante ao usado nos carros de corrida, como os da Fórmula 1), entrega briosos 925 cv de potência e quase 105 kgfm de torque, despejados de forma perfeita por dois motores em suas quatro rodas de 21 polegadas.

Ele é capaz de uma aceleração de 0 a 100 km/h em 2,5 segundos, muito mais rápido que aviões de passageiros, como o Boeing 737 e o Airbus A380, e até mesmo que um caça moderno – o F-18 Hornet, por exemplo, precisa de entre 3 e 3,5 segundos para fazer o mesmo, a menos que use uma catapulta, como as dos navios porta-aviões.
Seguindo passo a passo as instruções do paciente piloto que estava ao meu lado, fiz assim: coloquei o modo de condução na opção mais esportiva, ativei o controle de largada, apertei meu pé esquerdo com força no freio, afundei meu pé direito até a “tábua” no acelerador e, em seguida, tirei de uma vez o pé do freio (veja abaixo o vídeo que fiz de um colega executando a mesma largada).
O carro “decolou” com uma leve oscilação por conta de um pequeno destracionamento nas rodas. Minhas costas pareceram querer se fundir ao encosto do banco, minha testa fez menção de ir visitar a nuca e, quando ainda estava tentando entender o que sentia, recebi a ordem de liberar o acelerador e pisar forte no freio.Na hora, fiquei sem saber o que tinha sido mais impactante em termos de pressão sobre o corpo, a cabeça e o coração, se a arrancada ou a frenagem. Mas pude repetir a experiência mais duas vezes, já dominando um pouco melhor o espaço, as respostas do carro, meu corpo e meus temores, e pude apreciar um pouco mais daqueles segundos “frenergéticos”.
Depois de sair do carro, fiquei pensando no que sentem os pilotos da Fórmula 1, que passam por algo semelhante àquilo – nas saídas de curvas mais lentas, por exemplo – pelo menos umas sete ou oito vezes em cada uma das 60 ou 70 voltas de uma prova. Isso sem falar da força lateral G sobre o corpo, nas curvas, de ter de cuidar de regulagens diferentes de frenagem, controles diversos, dos pneus, de tentar ultrapassar o coleguinha à frente e não deixar que o coleguinha de trás ultrapasse, prestar atenção em bandeiras e avisos e ainda ter de ouvir e responder a engenheiros cri-cri pelo rádio. E ainda tem quem ache que Fórmula 1 não é esporte…

Saiba mais sobre os carros da Audi e o evento
O Audi Driving Experience costuma acontecer em edições anuais e, além das atividades de que participei, inclui uma série de outras, com os demais veículos da linha Audi, inclusive em um circuito off-road montado ali perto e ainda um curso básico de pilotagem, que é pago (algo em torno de R$ 5 mil, segundo ouvi) e que, este ano, contou com 55 participantes. No total, 171 pessoas estiveram presentes ao longo dos dias do evento.
Uma experiência daquelas que, além do aprendizado e da vivência, podem render lembranças bacanas para o resto da vida. E que, quando terminou, deixou todos os outros carros que vi e com os quais tive contato depois parecendo incrivelmente lentos.
Para mais informações sobre os modelos Audi mencionados neste post, assim como para todos os demais, recomendo que você acesse o site brasileiro da marca em https://www.audi.com.br/pt/. Ali estão todos os dados técnicos, comparativos e também o contato para quem quiser se inscrever no próximo Audi Driving Experience.































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