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Seu próximo carro poderá sentir seu coração bater. Literalmente

  • há 9 minutos
  • 3 min de leitura

Por Henrique Koifman



Além de dirigirem a si mesmos, em breve, os carros vão poder cuidar da sua saúde – aumentando a sua segurança e a de todos no trânsito. Digo isso porque, no mês passado, a sueca Smart Eye anunciou que as câmeras que produz para monitoramento nos carros serão capazes de estimar também a frequência cardíaca e respiratória dos motoristas, sem que eles precisem usar nenhum tipo de sensor adicional. A empresa, que tem entre seus clientes 22 montadoras, como Volvo, BMW, GM e Geely, e também a Boeing e a Nasa, demonstrou o novo sistema publicamente pela primeira vez na conferência InCabin USA, em Detroit. Fundada em 1999, a Smart Eye é uma referência em rastreamento ocular para pesquisa científica e aeroespacial.


A tecnologia usa um recurso de nome complicadíssimo: fotopletismografia remota, ou rPPG, mas nem é tão complicado. Ele funciona assim: a câmera detecta pequenas variações de cor na pele do rosto do condutor, causadas pelo fluxo sanguíneo a cada batimento cardíaco, e converte esse sinal em batimentos por minuto. A iluminação por infravermelho permite que o sistema funcione mesmo no escuro.Vale lembrar que, hoje, nos países da União Europeia, a legislação já exige que os veículos novos sejam equipados com câmeras voltadas para o motorista, para monitorar sonolência e distração. Incluir a leitura de sinais vitais nesses equipamentos vai envolver apenas os custos de software, sem a necessidade de instalar algum equipamento extra – o que torna a solução ainda mais atraente para o mercado.

Até aqui, a Smart Eye não revelou se já há alguma montadora diretamente interessada no novo recurso, nem uma data de lançamento ou mesmo o nível de precisão dos dados coletados por seu equipamento. Sobre isso, estudos sobre medição de sinais vitais por câmera em um carro em movimento indicaram que sua possibilidade de erro pode ser até duas vezes maior quando feita dentro de um carro em movimento, em comparação à feita em um ambiente estático.


Alguns carros já tomam conta dos motoristas


Monitorar o estado dos condutores não é exatamente uma novidade. Marcas como a Tesla, por exemplo, já usam o radar veicular para função semelhante, com vantagens em situações de escuridão ou obstrução do rosto, por óculos escuros, por exemplo. Mas, por enquanto, tudo isso é encarado pela indústria automotiva apenas como uma possibilidade, algo para o qual já existe uma real capacidade tecnológica, mas que ainda estaria em estágio de demonstração, sem um produto comercial definido.



O que já temos em vários automóveis um pouco mais sofisticados – inclusive aqui no Brasil, em alguns modelos de marcas como Jeep, Peugeot e Volkswagen – é o chamado detector de fadiga do motorista, que monitora o tempo da viagem e os movimentos da direção e dos pedais, alertando o condutor quando “entende” que seu comportamento está comprometido pelo cansaço.


Sistemas de monitoramento, anjos da guarda ou espiões?


É claro que todo e qualquer recurso que aumente a nossa segurança, contribuindo para diminuir as possibilidades de acidentes – e mortos e feridos – é bem-vindo. Mas se você, como eu, tem um pé atrás com os sistemas de monitoramento, sobretudo câmeras – como as que hoje nos cercam por todos os lados –, a ideia de ter um equipamento com acesso permanente a algo tão íntimo quanto o funcionamento de seu coração pode ser meio incômoda.


Sim, eu sou daqueles que desativam os comandos por voz automáticos do smartphone e negam o acesso à sua câmera à imensa maioria dos aplicativos. Não que tenha algo a esconder, mas simplesmente por querer preservar o meu direito de não mostrar e de não ser vigiado – e, de certa forma, controlado – o tempo todo.


Até porque, com a justificativa da segurança, dezenas de empresas invadem a nossa privacidade, o tempo todo, tendo como intenção principal detectar oportunidades para lucrar conosco, e não obrigatoriamente zelar pelo nosso bem-estar.


Daí que para uma câmera dessas, sentindo que nossa pulsação e respiração estão ligeiramente aceleradas, sugerir alguma terapia ou medicamento de algum patrocinador – ainda que acompanhado por um “disclaimer”, do tipo “a persistirem os sintomas, consulte um médico” – não custa muito. Afinal, o GPS de seu celular ou do carro já faz algo semelhante, assinalando estabelecimentos comerciais (parceiros) ao longo dos roteiros de navegação.


E você, o que pensa a esse respeito?


Eis a interpretação da IA Claude, em estilo pop-art, para um "motorista paranoico com a intromissão de câmeras em excesso"
Eis a interpretação da IA Claude, em estilo pop-art, para um "motorista paranoico com a intromissão de câmeras em excesso"

Fotos/ilustrações – criações com IA

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