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O Honda HRV Touring 2024 é bom?


Topo de linha tem recheio caprichado de equipamentos, motor forte e preço acima da média


Texto e fotos de Henrique Koifman



O HRV é, já há algum tempo, o modelo mais vendido da Honda no Brasil e, hoje, está disponível em nosso mercado em sua segunda geração*. SUV compacto, ele é nesse segmento um dos modelos que mais faz jus ao “esportivo” dessa sigla, especialmente nesta parruda versão Touring, que você vê reluzente nas fotos. Ela é a mais cara e bem equipada da linha – e, até aí, nada demais. Mas é também equipada com um motor 1.5 turbo flex que gera generosos 177 cv de potência e 24,5 kgfm de torque, números que proporcionam um desempenho mais próximo do esportivo.




Um desempenho que, no final das contas, talvez nem combine tanto assim com a personalidade desse HRV. Digo isso depois de passar uma semana com o carro, rodando uns 340 km, a maior parte deles em ciclo urbano, tempo durante o qual a tônica do enredo foi mais a tranquilidade e o conforto que a emoção pela performance. Basta que você não afunde o pé no acelerador para que partidas e retomadas sejam feitas de forma extremamente civilizada, na rapidez necessária, mas sem maiores rompantes ou incômodos para o corpo ou para os ouvidos. Nesse caso, mérito do câmbio CVT, que simula sete velocidades e funciona de forma quase imperceptível.



Por dentro do HRV, capricho e bom gosto nipônicos


Essa (boa) sensação de conforto tem muito a ver com a qualidade e o aspecto do interior do HRV. Especialmente caprichado nessa versão topo de linha, ele combina tons, texturas, formas e usabilidade com aquela invejável sabedoria japonesa. Quase tudo no melhor lugar, visibilidade e com o melhor acionamento possível; materiais de excelente qualidade e montagem perfeita; forrações e acabamentos impecáveis. Tudo naquele estilo sóbrio, mas moderno; arrojado sem ser extravagante. Os bancos são ótimos, o espaço para quatro é generoso e, para o motorista, ergonomia e a visualização, tanto do painel digital – com tela cheia de informações e funções configuráveis – quanto de espelhos e do “mundo exterior”, pelos vidros, é muito boa. Senti falta, porém, de um teto solar, nem que fosse como opcional, pois acho que é o tipo de acessório que teria tudo a ver com esse Honda.





Há aviso de ponto cego, mas sempre que você aciona a seta para a direita, a imagem captada por uma câmera no espelho externo projeta na tela da multimídia justamente o que normalmente não daria para ver. Essa câmera também pode ser acionada manualmente por meio de um botão na ponta da alavanca do pisca-pisca. Um sistema que já estava disponível na geração anterior do Civic, produzida aqui no Brasil até uns anos atrás, e que é ótimo.



Em relação àquela geração de carros, no entanto, este HRV Touring traz a mais o pacote de recursos de segurança Sensing, da Honda, com uma série de recursos de apoio autônomo, como os sistemas de frenagem para mitigação de colisão, de permanência em faixa, de mitigação de evasão de pista etc, e ainda o útil ACC, o controle adaptativo de cruzeiro, que une o piloto automático com a manutenção de distância em relação ao carro à frente. O sonhos dos engarrafados.


O Carro traz, também, seis airbags, sensores de chuva e de crepúsculo (que liga o farol sozinho), bons central de multimídia (conectável) e sistema de som. E, quando você freia o carro, em um sinal fechado, por exemplo, com o câmbio na posição drive (D), o freio de mão é automaticamente acionado, imobilizando o carro. E basta tocar novamente no acelerador para desfrear e pôr o carro em marcha. Esse é um recurso que você pode acionar ou não, mas com qual me acostumei rapidamente e achei muito prático.





Em marcha, um o HRV é um SUV que parece... um SUV


A suspensão desse HRV não chega a ser dura, mas é mais rígida que a média nos SUVs compactos em nosso mercado. Isso tem a ver com o próprio estilo da Honda, é condizente com o bom desempenho do carro e ajuda a garantir sua boa estabilidade, mas transmite boa parte dos calombos e buracos para os ocupantes. Nada que seja assim tão desesperador, vale dizer.




Aliás, a despeito disso tudo, em termos de sensação de dirigir, o HRV Touring não esconde o fato de que é um SUV, com as características – positivas e negativas – que um modelo mais alto costuma apresentar. Passa fácil por lombadas e outros pequenos obstáculos. E oscila, mais do que um sedã ou hatch de mesmo porte, tanto lateralmente por conta de imperfeições a pista, quanto em arrancadas e freadas mais fortes, momentos em que dá para sentir uma certa transferência de peso.


Ele conta com três programações de condução: normal, ECO (para economizar combustível) e sport – que eleva os giros do motor, atrasando um pouco a progressão do câmbio CVT e, assim, acordando as reservas do motor e tornando o carro mais ágil e rápido – dentro do que se pode esperar e obter com esse tipo de caixa de marchas. Você também pode comandar o câmbio manualmente, por meio de borboletas (paddle shifts) atrás do volante. Mas elas são mais úteis, mesmo, para fazer reduções e otimizar o uso do freio motor em descidas mais longas, dando um refresco para os freios.




O bom é que, mesmo esbanjando disposição (quando solicitado, ele vai de 0 a 100 km/h em 8,9 segundos e pode chegar a até 200 km/h, diz a Honda), esse conjunto motor-câmbio do HRV Touring não cobra tão alto na bomba. Usando apenas gasolina e rodando 70% do tempo no trânsito, anotei bons 11,3 km/litro de média. Isso sem a menor preocupação em economizar – só cheguei a selecionar o modo ECO para fazer a palavra correspondente acender no painel para poder fotografar –, antes o contrário.



O HRV Touring vale a pena?





A versão mais em conta do HRV é a EX, com motor 1.5 aspirado (de mais modestos 126 cv de potência e 15,8 kgfm de torque) e que custa R$ 152.700. Com o motor 1.5 turbo, há ainda a Advance, um pouco menos equipada, por R$188.500. Essa Touring está saindo por R$199.800. Todos os preços são do site da Honda, visitado em 18.04.2024. Nessa faixa de preço, você consegue comprar, por exemplo, um Jeep Compass Longitude, em princípio, de um segmento acima, também bem equipado e com motor até um pouco mais potente. Ou até um Corolla Cross eletrificado, o XRV Hybrid. Mas o preço nunca foi, que eu me lembre, o principal argumento de venda da Honda. E olhe que, mesmo assim, o HRV já chegou a liderar seu segmento por um bom tempo.


É claro que, em termos de volume, as versões do HRV da parte de baixo da tabela tendem, mesmo, a vender (e vendem) mais. Mas se eu fosse escolher um HRV para mim, hoje, porém, não abriria mão da mecânica forte e econômica como a desse Touring. Talvez, já que todos os recursos de segurança são comuns à linha inteira, optasse pela Advance, guardando os mais de R$ 11 mil economizados para fazer o seguro, pagar o combustível e, quem sabe, as pousadas e restaurantes que descobriria com ele pelo caminho.



(*) Afinal, qual é esta geração do HRV produzido no Brasil?


Para não ser espinafrado (com razão) por autonerds, vale informar que, no Japão, o HRV teve ainda uma outra primeira geração, produzida somente no Japão entre 1999 e 2005; a “nossa” atual, portanto, seria a terceira geração do modelo, mas é a segunda produzida no Brasil. E, para complicar, nos EUA, já foi lançada a geração seguinte do HRV, que é, inclusive, importada pela Honda para nosso país com o nome de ZRV. E, como última curiosidade, a sigla HRV vem de Hi-rider Revolutionary Vehicle, ou “veículo revolucionário de chassis elevado”, em tradução literal. Lembram da campanha de lançamento do modelo aqui, em 2015? Ela, não por acaso, tinha como mote justamente o conceito de revolução (veja no vídeo na janela abaixo, ou no link https://youtu.be/WIR8wjT568k?si=meqlgStDrwGHHB5a), por mais comportado que, cá entre nós, esse SUV, especialmente em suas primeiras linhas, fosse.







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