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Os outros 364 dias mundiais com carro


Dia Mundial Sem Carro de 2015, foto de Marcello Casal - Agência Brasil


Hoje, 22 de setembro, é o Dia Mundial sem Carro – data com nome autoexplicativo criada na França em 1997, que, em poucos anos, foi sendo adotada no calendário de vários países europeus e, em seguida, por diversas outras nações. Inclusive o Brasil, onde acontecem ações relacionadas a ela – como grandes bicicleatas – pelo menos desde 2007. “Mas, peraí”, – pode estranhar o leitor, não sem bons motivos: “você vai falar contra os automóveis logo neste blog, dedicado a eles?” Adianto que não. Nada contra os carros em si, mas muito contra as formas danosas e/ou erradas de usá-lo.


É claro que em uma grande cidade, usar o transporte coletivo é bem mais racional – e razoável – do que seguir sozinho e engarrafado dentro de um automóvel. E, sem medo de parecer ingênuo, tenho (quase) certeza de que, se houvesse ônibus, trens urbanos e metrô abrangentes e de boa qualidade (e refrigerados) servindo todos os bairros, uma enorme parcela dos que usam carros particulares os deixaria na garagem por muito mais tempo.



Só que, na nossa vida real de todos os dias, pelo menos aqui no Rio, o que vemos é um serviço de ônibus que, ruim há uma década, decaiu ainda mais. E a coisa ficou mais dramática nesses últimos anos, com a soma dos tempos minguados da pandemia com um “plano” de redistribuição de linhas que, aparentemente, mandou metade delas para outra parte do planeta, deixando as pessoas a pé em muitos bairros. Na imagem neste parágrafo, o desconto que a cidade de Nottingham, na Inglaterra, dá nas passagens no dia de hoje.

Para muita gente, usar o carro para poder ir trabalhar ou estudar no Rio é conseguir chegar no horário e em boas condições físicas.



Para não dizer que nada melhorou, é inegável que, hoje, temos em nossa cidade uma grande malha de ciclovias, que atendem a uma grande quantidade de rotas. Mas, por mais encantador que seja pedalar por essas paisagens, não dá para imaginar que a maioria das pessoas vá se utilizar das “magrelas” – mesmo que elétricas – como meio rotineiro de transporte. Especialmente nesses tempos de aquecimento global.




Metade dos domicílios têm automóveis


Não por acaso, segundo um recente levantamento do IBGE, quase metade dos domicílios brasileiros têm pelo menos um carro (e 25% têm moto). Acho que já foi o tempo em que o puro status era argumento decisivo para que se comprasse um carro – muitas vezes em lugar de comprar a própria casa, pagar por boa educação, roupas, saúde e até comida. Por outro lado, assim como para mim e para muitos de vocês, ter um carro quase sempre é mais do que simplesmente possuir uma mera ferramenta de deslocamento, envolvendo coisas como o desejo de autonomia, a satisfação de um gosto, a realização de um sonho e outras tantas coisas.

O ideal – e mais sustentável –, portanto, seria podermos ter (quem quiser) automóveis, mas não precisar tanto deles em nosso dia a dia, para todos os deslocamentos de nossas rotinas. Mas já que isso, ao menos por enquanto, não é possível, tratemos de tentar melhorar um pouco as coisas com nossa maneira de usar o carro. E para esse tipo de mudança – ou para a consciência de sua necessidade –, datas como a de hoje, o Dia sem carro, até que vem a calhar.



Pequenas atitudes que podem fazer toda a diferença


E nem precisam ser mudanças tão radicais assim. Para começo de conversa, não deixar a boa educação, a empatia e a gentileza na garagem ao sair de carro. Em poucos ambientes a máxima “gentileza gera gentileza”, do ‘profeta’ homônimo é mais verdadeira do que no trânsito. Dê a preferência, respeite as faixas de pedestres (mesmo aquelas que não contam com sinais), fique atento a tudo e a todos que circulam no seu entorno. Dirija de forma zen, sem aceleradas nem freadas desnecessárias; sem buzinadas inúteis ou palavrões atirados pela janela. Procure também conciliar os horários para que mais pessoas possam viajar junto, da família, amigos ou vizinhos, organizando os trajetos e aproveitando o carro de forma mais racional (e econômica).

E, sim, quando for fazer um trajeto curto, ou que seja (excepcionalmente) bem servido pelo transporte coletivo público, deixe o carro em casa. Assim, além do mais, você colabora para a redução das emissões de CO2. Se seu carro é flex (e hoje a maioria é), outra forma de fazer isso é, sempre que possível, abastecê-lo com etanol, que é menos poluente desde o campo até o cano (de descarga).

Mais do que nos mobilizarmos com o Dia mundial sem carro, o mais importante é a gente se preocupar com os outros 364 dias com carro. E fazer um melhor uso dele.



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