O Citroën Basalt Dark Edition 2026 vale a pena?
Por Henrique Koifman
Fotos HK

Poucos carros que testei até hoje – e eles foram muitos! – se encaixaram tão bem na expressão “custo-benefício” quanto esse Citroën Basalt Dark Edition que você vê nas fotos deste post. Tanto para o bem quanto para o mal que a expressão geralmente implica. Daí vale começar logo pelo preço: R$ 116 mil (site da Citroën, em promoção no dia 14/10/2026). Não por acaso, ele é o principal responsável pelo crescimento da marca francesa no Brasil nos últimos meses e, pelo menos aqui no Rio, é figurinha fácil no trânsito, seja vestido de táxi, seja em trajes civis. Passei uma semana com essa versão topo de linha do SUV compacto cupê e falo a seguir do modelo e de minha experiência com ele.

Eu já havia guiado o Basalt Dark Edition por uns 20 km, no evento de lançamento da linha 2026 da Citroën, em setembro do ano passado (você pode conferir a matéria completa, que inclui outros modelos da marca, aqui – https://www.rebimboca.com.br/single-post/citro%C3%Abn-lan%C3%A7a-vers%C3%B5es-xtr-para-c3-e-aircross-e-dark-edition-para-o-basalt ). E, em 2024, já guiara outra versão do carro durante seu lançamento, no interior paulista – confira a matéria aqui: https://www.rebimboca.com.br/single-post/basalt-a-nova-arma-da-citroën-na-guerra-dos-suvs-compactos e o vídeo (abaixo).
Começando pelo lado do benefício: o Citroën Basalt é cheio de personalidade
Embora tenha a mesma identidade visual de seus irmãos C3 e Aircross, o Basalt é, digamos, inconfundível. Especialmente se você o avistar pela lateral ou pela traseira. Confesso que, em meus primeiros contatos, meu espanto em relação às suas formas não foi exatamente de encantamento. Proporções, cortes abruptos, volumes… achei meio brutal* e levei um tempinho para me acostumar. Mas, querem saber, hoje acho tudo isso interessante e valorizo a ousadia. Vive la différence (viva a diferença), como costumam dizer os ingleses quando pensam em francês.

(*) Com esse “brutal” faço menção ao brutalismo, um estilo arquitetônico que se tornou moda na segunda metade do século passado e que é reconhecido por suas formas geométricas pesadas, com “volumes monolíticos, linhas retas e blocos imponentes que transmitem peso e solidez”. Para quem quiser saber mais sobre isso, recomendo este artigo aqui: https://6bengenharia.com.br/arquitetura-brutalista-do-brasil-e-no-mundo/.

O feitio cupê deste SUV compacto, junto com as tais linhas originais, dá a ele um porte que parece maior do que suas medidas reais indicam. E passa um ar de contemporaneidade esportiva, que acaba reforçando o conceito de fusão de estilos.
Mas, para além da pura estética, o que esse projeto entrega de melhor é o aproveitamento do espaço interno. Ele tem lugar de sobra para seus passageiros viajarem e ainda conta com um porta-malas de quase 500 litros de capacidade. É entrar no carro para perceber isso, na facilidade de acesso e acomodação.

Os bancos não são lá muito sofisticados em seus formatos, mas também acomodam bem e, com uma suspensão mais macia do que a média em sua categoria, o rodar do Basalt é dos mais generosos com quem vai a bordo e, nesse particular, se parece com um modelo de categoria superior à dele.
Um SUV compacto de entrada que anda bem, obrigado
A mecânica e o desempenho do Basalt também entram na conta dos benefícios. Assim como no irmão maior Aircross e em versões do menor, C3, ele vestiu muito bem o motor T200 do grupo Stellantis – que também equipa modelos da Fiat e da Peugeot. O 1.0 turbo de três cilindros flex entrega até 130 cv de potência e pouco mais de 20 kgfm de torque, transmitidos por um câmbio automático do tipo CVT que simula 7 marchas e que, juntos, deixam o SUV bem espertinho. Algo que, aliás, até combina com as tais linhas esportivas da carroceria.

Não chega a ser um “carro esporte”, no sentido tradicional da coisa, mas se mostra sempre bem-disposto quando a ideia é acelerar. Arrancadas e retomadas são vigorosas (com etanol, ele faz de 0 a 100 km/h em 9,6 segundos, segundo a Citroën) e o ruído do motor, um pouco áspero, acaba compondo muito bem o cenário. Fazer retornos entre pistas de velocidades mais elevadas, sair num sinal recém-aberto e fazer ultrapassagens é tranquilo e até divertido.
Vale lembrar (e menciono isso nas matérias anteriores) que a suspensão do Basalt, como a de toda a linha C3, é beeeeem macia. Não chega a comprometer sua estabilidade em condições normais de uso, mas, se por um lado garante um conforto até acima da média para essa categoria, por outro diminui sensivelmente suas aptidões mais esportivas, pois permite que a carroceria se incline e, por vezes, oscile de um modo que não combina muito com essas ocasiões.

E isso sem cobrar caro em consumo. Em meu uso, preponderantemente em trânsito urbano, engarrafamentos incluídos, e segundo os registros do computador de bordo, obtive cerca de 11,8 km/l de gasolina. E, num trecho de vias expressas, de uns 30 km, atingi 13,5 km/l (os valores obtidos pelo Inmetro estão na ficha técnica, no final do post).
A usabilidade do Basalt também merece elogios
Como já comentei antes, no vídeo em que testei o “primo” Fiat Fastback (https://www.rebimboca.com.br/single-post/test-drive-do-fiat-fatsback-impetus-hybrid-2026-na-tv-rebimboca), acho que esses SUVs cupês compactos são os reais substitutos das caminhonetes compactas, as antigas versões perua das linhas de entrada (como VW Parati, Fiat Palio Weekend e Corsa Wagon). E, nisso, o Citroën Basalt, por ser mais espaçoso que o parente, é até mais capacitado.

Ele é um carro bastante prático para uma família com crianças, mesmo aquelas que já passaram de 1,70 m de altura. E tem porta-malas suficiente para levar carrinhos de bebê, compras do mês, bagagens para feriados e o que mais for necessário na rotina desse tipo de consumidor.
E, nesse aspecto, sua simplicidade geral joga a favor. Tudo é fácil de usar, os acessos não exigem contorcionismos nem ginástica, e estofamento e acabamentos em plástico são muito fáceis de limpar. E mesmo a manutenção, até onde sei, é simples e não muito custosa.
E agora, o lado do custo: para fechar a conta, o Citroën Basalt é despojado
Para atingir o tal custo-benefício, o Basalt, mesmo nessa versão topo de linha, é desprovido de uma série de itens e recursos que rivais de outras marcas – como VW Tera, Chevrolet Sonic, Renault Kardian, Jeep Avenger e Fiat Pulse – trazem em versões comparáveis a ele.

O lado da diversão, por exemplo, seria melhor se o Basalt contasse com uma opção de troca manual das velocidades por borboletas no volante e se o seu botão “sport” – aquele que faz a coisa toda funcionar em giros mais altos, esticando as posições de marcha do câmbio – não ficasse virtualmente escondido num canto do painel, atrás do volante, instalado no meio de outros comandos igualmente “invisíveis”. Isso dificulta bastante seu acionamento enquanto se dirige.

Mas esses são apenas supérfluos. A lista do que seria bom estar, mas não está, a bordo do Basalt Dark Edition tem outros tantos itens, alguns deles bem mais importantes. A começar pelo número de airbags: apenas quatro, frontais e laterais para os bancos da frente (Tera, Avenger, Kardian e Sonic vêm com seis). E tampouco há recursos ADAS, de assistência autônoma ao motorista, como frenagem autônoma de emergência, alerta de colisão ou alerta de ponto cego.
O acabamento interno, a despeito do desenho bacana das saídas de ventilação e dos painéis, é muito simples, com raras partes acolchoadas entre o mar de plásticos duros. O isolamento acústico é um pouco deficiente, não somente em relação aos ruídos mecânicos, mas também em relação ao exterior do carro: atravessei uma tempestade com ele e o som da chuva no teto de lata foi um tanto mais alto do que eu esperava.

E é essa falta de isolamento que, de modo geral, passa uma sensação de pouca sofisticação e até de baixa resistência em relação ao carro como um todo. Algo subjetivo, que fique claro, pois durante meu teste não ouvi nenhum tipo de rangido ou batida metálica de componente algum e tudo funcionou direitinho. Mas é guiar um Jeep Avenger, para ficar num exemplo com a mesma base mecânica que ele, para perceber uma enorme diferença nisso, que eu chamaria de “sensação de qualidade”.
A relação de coisas que fazem falta ainda inclui saídas do ar-condicionado para o banco de trás, o ajuste de profundidade para o volante e o de altura para a fixação dos cintos de segurança nas colunas dianteiras, o que não me permitiu uma regulagem ideal para o meu tamanho (sou alto, mas gosto de usar o cinto saindo de mais baixo, para que não roce no meu pescoço).

Iluminação por LED? Só nas faixinhas da “assinatura” (DLR) na dianteira, pois faróis e lanternas usam as menos eficientes lâmpadas halógenas. E o espelho retrovisor interno tem sistema antiofuscante manual, ou seja, por teclinha de deslocamento, algo raro em versões topo de linha de qualquer tipo. E o espelho retrovisor interno tem sistema antiofuscante manual, ou seja, por teclinha de deslocamento, algo raro em versões topo de linha de qualquer tipo.
Listo todos os acessórios e recursos de série do carro no final do post, ok?
E então, o Citroën Basalt Dark Edition vale ou não a pena?
Em comparação direta, ele é o mais espaçoso de seu segmento e também um dos mais confortáveis. Isso a despeito da simplicidade quase radical – que já foi pior, pois, no ano passado, a Citroën deu uma boa renovada (e acolchoada) em alguns detalhes de acabamento e recentemente incluiu a desejável chave presencial no pacote desta versão.
Além disso, anda bem, é bom de guiar e tem um consumo sustentável de combustível. Um pacote que tem também agradado bastante, aliás, taxistas e frotistas.

Respondendo, então, à pergunta: vale, especialmente para o perfil de comprador “família”, que vai usufruir das virtudes e da praticidade que listei acima. Sobretudo pelo atual preço promocional de R$ 116 mil (a marca informa R$ 132 mil como valor de tabela) ofertado no site. Por valores mais altos, aí a coisa muda um pouco de figura. De toda forma, como sempre, eu recomendaria que o interessado em um carro dessa categoria experimentasse o maior número possível de modelos concorrentes antes de se decidir pela compra.

Ficha técnica | Citroën Basalt Dark Edition Turbo 200 – 2026
(dados do fabricante)
Motor
Posição: dianteiro, transversal
Número de cilindros: 3 em linha
Diâmetro x curso: 70,0 x 86,5 mm
Cilindrada total: 999 cm³
Taxa de compressão: 10,5:1
Potência: 125 cv (gasolina) / 130 cv (etanol) a 5.750 rpm
Torque: 200 Nm a 1.750 rpm (gasolina/etanol)
Número de válvulas por cilindro: 4
Comando de válvulas: no cabeçote, com sistema eletro-hidráulico Multiair III, com um eixo para as válvulas de escape
Injeção: direta
Combustível: gasolina/etanol

Transmissão
Câmbio automático CVT (continuamente variável), com 7 marchas
Relações de transmissão: 1ª: 2,270; 2ª: 1,600; 3ª: 1,200; 4ª: 0,940; 5ª: 0,740; 6ª: 0,580; 7ª: 0,460; ré: 2,604 a 0,416
Diferencial: 5,698
Tração: dianteira
Sistema de freios
Dianteiro: disco ventilado (diâmetro de 284 x 22 mm) com pinça flutuante
Traseiro: tambor (diâmetro de 203 mm) ajustável
Suspensão
Dianteira: independente, McPherson; amortecedores hidráulicos e pressurizados; elemento elástico: molas helicoidais
Traseira: eixo de torção; amortecedores hidráulicos e pressurizados; elemento elástico: molas helicoidais
Direção
Assistência: elétrica
Diâmetro de giro: 11 metros
Rodas e pneus
Rodas: 16″, de liga leve
Pneus: 205/60 R16
Peso do veículo
Em ordem de marcha: 1.191 kg
Capacidade de carga: 400 kg
Dimensões externas/capacidades
Comprimento: 4.343 mm
Largura da carroceria: 1.741 mm (sem espelhos) / 2.014 mm (com espelhos)
Altura do veículo: 1.585 mm
Distância entre eixos: 2.645 mm
Altura mínima do solo: 208 mm
Ângulo de entrada: 20,5°
Ângulo de saída: 28°
Volume do porta-malas: 490 l (padrão VDA)
Tanque de combustível: 47 litros
Performance
0 a 100 km/h: 10 s (gasolina) / 9,6 s (etanol)
Velocidade máxima: 197 km/h (gasolina) / 199 km/h (etanol)
Consumo PBEV/Inmetro
Urbano: 12,1 km/l (gasolina) / 8,4 km/l (etanol)
Estrada: 13,7 km/l (gasolina) / 9,6 km/l (etanol)

Itens de série (dados do fabricante)
1 porta USB tipo A de recarga e dados e tomada de 12 V no painel
2 portas USB tipo C de carregamento rápido para a 2ª fileira
4 airbags: frontais (condutor e passageiro) e laterais dianteiros
Antena dianteira e 6 autofalantes
ABS + ESC + ASR + EBD
Alarme periférico
Apoios de cabeça com abas nos bancos traseiros laterais (2) e apoio de cabeça com regulagem de altura na posição central (1)
Ar-condicionado automático e digital
Assinatura luminosa
Assistente de partida em rampa (Hill Assist)
Banco do motorista com ajuste de altura e apoio de braço
Bancos com revestimento premium na cor preta
Bancos traseiros com apoio de cabeça regulável nas 3 posições
Bancos traseiros rebatíveis com Isofix e Top Tether (fixação para cadeirinhas de criança)
Bluetooth
Chevrons e logos escurecidos
Câmera traseira
Capa do retrovisor em preto brilhante
Comando interno de abertura da tampa de combustível
Desembaçador de vidro traseiro
Detalhes na cor “Andre Red” na grade frontal e na coluna C
Direção elétrica com ajuste de altura
DRLs (luzes de rodagem diurna) de LED
Para-sol com espelho de cortesia (passageiro)
Faróis de neblina
Interior escurecido
iTPMS – monitoramento da pressão dos pneus
Logotipo “Dark Edition”
Luz de cortesia dianteira e traseira
Luz de cortesia no porta-malas
Luzes indicadoras de direção nos retrovisores
Logotipo “T200”
Modo Sport
Multimídia Citroën Connect touchscreen de 10″ + espelhamento Android Auto® e Apple CarPlay® sem fio
Maçaneta externa pintada na cor da carroceria
Moldura de caixa de roda e lateral de carroceria
Moldura preta nos vidros
Protetor inferior de para-choque dianteiro e traseiro (skid plates)
Painel de instrumentos digital TFT de 7″
Piloto automático (limitador e regulador de velocidade)
Painel de bordo com revestimento premium na cor preta
Pedaleiras esportivas
Protetor de soleira exclusivo “Dark Edition”
Rodas de liga leve de 16″, tipo “Urban”, pintadas de preto
Retrovisor externo elétrico
Sensores de estacionamento traseiros
Spoiler
Tapete de carpete
Travamento central
Transmissão automática CVT com 7 marchas simuladas
Travamento automático das portas e do porta-malas com o veículo em movimento
Vidros elétricos dianteiros e traseiros com função “one touch” e função antiesmagamento
Volante com ajuste de altura
Volante com controle de áudio e comandos do piloto automático
Volante com revestimento premium e costura aparente vermelha
Luz de cortesia no porta-luvas
Porta-objetos no painel com pintura escurecida
Keyless
Porta-revista nos bancos traseiros
Para-sol com espelho de cortesia e porta-documentos (motorista)


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