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Pulse Abarth, um carro esporte vestido de SUV

Por Henrique Koifman


O Pulse Abarth é a versão esportiva do SUV compacto da Fiat – e é o primeiro a ganhar o emblema do escorpião como “marca independente”, aqui no Brasil. Fiquei uma semana com ele, rodando basicamente no trânsito urbano, com poucas – e divertidas – escapadas para vias expressas e rodovias. Falo sobre como foi essa experiência a seguir.



Começando com o Pulse Abarth na linha de chegada


Mudando um pouco a ordem que costumamos usar nesses textos de test-drive, peço sua licença para queimar a largada e ir logo à “parte dinâmica” da coisa e às minhas conclusões. Com um motor 1.3 turbo de até 185 cv de potência e 27,5 kgfm de torque – o mesmo usado nas versões flex da linha Jeep, na picape Fiat Toro e no Fiat Fastback Limited Edition –, esse Pulse tem um desempenho e tanto. É apertar o acelerador mais forte para sentir as costas pressionarem o encosto do banco. E, ainda que ele não seja assim um carro tão sofisticado, dá para perceber que os engenheiros da Abarth (divisão esportiva da Fiat) trabalharam duro para chegar a um acerto geral que passe um conjunto de sensações à altura do que o marketing está anunciando para o modelo.

E isso inclui de uma suspensão justinha, muito bem calibrada e que passa confiança em curvas, a despeito da altura (um pouco maior que a de um hatch); do som grave que você escuta a bordo – e que também sai pelo escapamento – à textura e densidade dos bancos, do peso da direção em cada situação à resposta dos freios… Aparências, sensações e efeitos que dão uma impressão de que o carro é ainda mais brabo e mais bem “recheado” do que realmente é. E, em se tratando de uma versão esportiva, acho que isso é o que mais importa, mesmo.


Daí eu concluir que, com seus quase R$ 150 mil de preço “a partir de” na tabela, esse Pulse Abarth tem hoje um bom custo-benefício. Um pouco alto para um SUV compacto? Pode ser, embora venha muito bem equipado. Mas muito interessante para um modelo esportivo, que esbanja o tal prazer de dirigir, que acelera empolgado de 0 a 100 km/h em menos de oito segundos e chega aos 215 km/h – isso mesmo contando com um câmbio automático de seis velocidades que, a despeito de ter sido recalibrado para a versão, não é particularmente chegado a emoções extremas, ainda que você acione o botão “poison” (veneno em inglês e francês, você escolhe) na direção, alterando um pouquinho a troca de marchas para giros mais altos ou use as borboletas (paddle-shifters) no volante para fazer essas trocas.


Agora, o começo da história

Meu primeiro contato “pessoal” com essa versão Abarth do Pulse foi um pouco antes de seu lançamento oficial, quando a Fiat enviou alguns exemplares para serem expostos em concessionárias. De cara, gostei da cor daquele exemplar – o mesmo cinza com teto preto desse que acabei testando, que rompe um pouco com os tradicionais preto, branco ou vermelho e suas variações que se costuma usar nessas versões.


O tratamento visual nem é tão radical assim, mas inclui pequenos detalhes que fazem toda a diferença. Trocar a logomarca da linha Fiat na grade dianteira pela da divisão Abarth, que tem um escorpião como símbolo, teve um efeito bem expressivo. E há faixas em tom vermelho, rodas de liga leve de 17 polegadas com pneus 215/50 com desenho limpo e pintadas de preto (e com o tal escorpião no miolo), frisos e espelhos com capa em vermelho… No mais, identifiquei nele traços em comum com outros modelos da marca, como o Palio – do qual herdou as portas, partes do interior e o estilo geral – e a picape Strada – cujo parentesco de linhas na dianteira é fraternal e reforça a tal pegada “utilitária” de sua proposta.



Visualmente, acho o conjunto desse SUV interessante justamente por não seguir tão a risca alguns dos princípios que vem guiando esse segmento. Tirando a altura e a distância do solo, ligeiramente maiores, ele poderia ser tranquilamente enquadrado como um hatch de porte compacto médio. E, em se tratando especificamente dessa versão esportiva, mais forte, isso é uma vantagem.



Afinal, ainda que se desenvolva e embarque em um SUV tudo que é tipo de dispositivo eletrônico de segurança e de assistência para que ele não fique de rodas para o ar na primeira curva mais fechada, os brilhantes engenheiros automotivos, pelo menos até aqui, ainda não conseguiram revogar as leis da física. Carro mais alto tende a oscilar mais e, sentado em uma posição mais distante do solo, seu condutor tem uma sensação de dirigir bem diferente – e de um modo geral menos esportiva – da que teria em modelo mais baixo. Quem já andou de kart, praticamente “sentado no chão” sabe do que estou falando.


Por dentro, esse Pulse também é Abarth


O cuidado tomado com o visual do lado de fora se repete do lado de dentro. Forrações de portas e bancos são específicas para essa versão. O tal escorpião Abarth está presente em detalhes, como o miolo da direção, fundo dos mostradores do painel, uma plaquinha no lado direito do tablier e o alto-relevo na parte superior dos bancos dianteiros. Bancos esses, aliás, têm uma densidade perfeita e desenho esportivo, mas poderiam dar um pouquinho mais de apoio lateral, mantendo o corpo mais firme em manobras mais fechadas.


Em termos de equipamentos de conforto, ele traz o mesmo que a opção mais luxuosa da versão com a marca Fiat, o Pulse Impetus (confira o nosso teste com essa versão aqui: https://www.rebimboca.com.br/single-post/o-fiat-pulse-impetus-vale-%C3%A0-pena). E isso inclui a boa multimídia conectável, ar condicionado digital, acionamento automático de faróis e limpadores, carregamento sem fio para o celular e uma longa lista de itens.


E mantém o bom (mas não espetacular) espaço interno do Pulse, confortável para quatro adultos, com encosto do banco traseiro em posição correta (não vertical demais), com aquela boa sensação de amplitude que esses centímetros a mais costumam dar aos SUVs e um porta-malas com bem razoáveis 370 litros de capacidade.


Vale lembrar que, com bancos com espuma um pouco mais densa, suspensão mais rígida e pneus de perfil mais baixo que o restante da linha, essa versão do Pulse não é a mais confortável. Dá para perceber claramente cada relevo mais expressivo do caminho. O acabamento interno, porém, parece ser ainda mais caprichado que os dos manos de emblema Fiat, com isolamento acima da média (mas dá para ouvir, o motor em giros mais altos, que bom) e climatização eficiente.



Pacote de segurança é bom


Esse Abarth traz também quatro air-bags, controles de tração, estabilidade e partida em rampa, frenagem autônoma de emergência, alerta de mudança de faixa e comutação automática do farol alto. Os faróis, aliás, são de LED e são ótimos, contando com aquela função “corner” nas luzes de neblina, que se acendem à noite quando se vira o volante em manobras.


Uma coisa que me chamou a atenção, por dois motivos quase opostos, foram os freios. De acionamento sensível e passando uma ótima sensação de segurança extrema, eles são a tambor nas rodas traseiras – e não a disco, como seria de se esperar em um esportivo que realmente “anda” como esse Pulse. Não duvido que para chegar a essa solução, o pessoal da fábrica tenha feito muito teste de eficiência bem conclusivos e, também, gastado muito lápis fazendo conta. Lembra do tal custo-benefício de que falei lá no alto? Pois é, para chegar a ele foi preciso cortar alguns gastos. O já mencionado câmbio automático “comum” (e não com trocas mais rápidas) e o fato de ele também não ter o prosaico alerta de ponto cego seguem essa mesma lógica.

Parecem esportivos, mas nem sempre são



Versões esportivas de série de modelos “comuns” são mais ou menos comuns desde, pelo menos, os anos 1960. E elas existem não apenas para conquistar uma determinada faixa (comparativamente pequena) de compradores, mas também para dar uma incrementada na imagem de toda a linha do tal modelo, que assim, mesmo em suas opções menos arrojadas (e mais vendidas), acaba sendo associado a uma certa esportividade. Ou seja, o sujeito é atraído pela versão esportiva, que desejaria ter, mas como ela é normalmente bem mais cara, acaba levando outra, mais simples e mais barata.


Por outro lado, muitas vezes, essas versões esportivas se diferenciam das demais muito mais pelo visual e acessórios do que por outra coisa. Tanto que, de uns tempos pra cá, a gente na imprensa especializada até passou a chamar várias delas de “esportivadas” – um termo mais preciso para definir essa subcategoria, digamos, mais “cenográfica”. Nada contra esses carros, me apresso em dizer. Se para muita gente a tal esportividade é mais importante como estilo do que como performance – e, afinal de contas, são raros os momentos em que se pode guiar “esportivamente” fora de um autódromo e dentro da lei –, por que não oferecer isso como opção de fábrica e por um preço comparativamente mais em conta?


Duas ou três faixas bacanas pintadas na carroceria, rodas de liga com pneus de perfil mais baixo, spoilers, um belo aerofólio traseiro, ponteiras cromadas no escapamento, vermelho nas costuras dos bancos, do couro do volante e no fundo dos instrumentos no painel; emblemas, monogramas… pronto! Levando-se em conta que, hoje, qualquer modelo que não tenha um motor 1.0 aspirado sob o capô já vem com pelo menos uns 100 cv de potência e um bom torque, não dá nem pra dizer que um carro assim, especialmente os mais compactos, seja lento.


Mas, é claro, há também as versões com um desempenho realmente mais forte e comportamento mais próximo do que se espera de um verdadeiro esportivo. Entre os nacionais mais recentes, sem pensar muito, lembro aqui dos “finados” VW Golf GTI e Renault Sandero RS, dois autênticos nervosinhos que não faziam feio nos track days – aquelas datas em que alguns autódromos abrem suas pistas para que amadores possam acelerar com a segurança de um ambiente controlado. E o Pulse Abarth faz parte dessa turma aí.



O quanto ele consome?


Na ficha técnica de fábrica, que reproduzo no final deste post, é informado que, com gasolina, o Pulse Abarth faz 10 km/litro na cidade e 12,3 km/litro na estrada. Imagino que esses sejam números obtidos em testes pelo INMETRO, como tem sido o padrão na indústria. Talvez por não resistir a dar umas boas aceleradas aqui e ali, ou por não me preocupar, mesmo, em economizar combustível, minha marca com a mesma gasolina ficou em cerca de 8 km/litro em circuito preponderantemente urbano.



É, não se pode querer tudo. Mas se para você o gasto no posto for uma questão fundamental, ou, pelo menos, mais importante do que o prazer de dirigir, recomendo que siga o raciocínio descrito aí nos parágrafos anteriores e opte pela versão Drive automática CVT do mesmo Pulse. Ela é um tanto mais simples, com motor 1.3 aspirado, mas é bem mais econômica e, com o desconto vigente no momento, sai por bem menos: R$ 102.990.


Eis a ficha técnica do Pulse Abarth 2023 (dados da montadora)



Motor transversal dianteiro, com quatro cilindros em linha, 16 válvulas, 1.332 cm³ (1.3) Potência máxima: 180 cv (gasolina) / 185 cv (etanol) a 5.750 rpm Torque máximo: 270 Nm (27,5 kgfm) a 1.750 rpm Câmbio: automático de seis marchas à frente e uma à ré Tração: Dianteira

Freios Dianteiro a disco ventilado, traseiro a tambor (diâmetro de 203 mm)Suspensão dianteira

Suspensão

Dianteira do tipo Mc Pherson, com rodas independentes, braços oscilantes inferiores transversais e barra estabilizadora Traseira do tipo eixo de torção com rodas semi-independentes


Direção elétrica - diâmetro mínimo de giro: 10,9 m


Rodas e pneus - 7,0” x 17” / 215/50 R17


Peso (em ordem de marcha) 1.281kg


Dimensões externas e capacidades (em mm)

Comprimento 4.115, largura 1.777 (s/espelhos) 1.989 (c/espelhos); altura 1.544, distância entre-eixos 2.532 Altura livre entre os eixos: 217, altura mínima do solo: 188 Tanque de combustível 47 litros Desempenho Velocidade máxima: 215 km/h (etanol) / 214 km/h (gasolina) 0 a 100 km/h: 7,6 s (etanol) / 8,0 s (gasolina)

Consumo Ciclo urbano: 10,0 km/l (gasolina) / 6,8 km/l (etanol) Ciclo estrada: 12,3 km/l (gasolina) / 8,8 km/l (etanol)




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