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Que tal a Renault Oroch turbo?


A picape “compacta intermediária” Oroch ganhou recentemente um tremendo – e literal – reforço em sua cavalaria, trocando seu antigo motor 2.0 16v Renault por um bem mais moderno 1.3 turbo, desenvolvido em parceria com a Mercedes Benz. Vale lembrar que as duas montadoras europeias têm equipes disputando a Fórmula 1 (entre outras), categoria mais cara e sofisticada do automobilismo. De motor elas manjam e muito. E foi justamente a versão topo de linha Outsider da Oroch, a que vem com esse “novo coração”, que tive a oportunidade de testar durante uma semana. É sobre isso que falo neste post.

Lançada em 2015, a Oroch foi durante alguns meses a primeira e única picape de uma nova categoria em nosso mercado, a das, digamos, compactas intermediárias – um pouco maiores que as derivadas de modelos compactos, como Fiat Strada, VW Saveiro etc., e menores que as médias, como Chevrolet S10, VW Amarok, Toyota Hilux etc.


Mas, nem bem esquentou as vitrines, foi quase que atropelada pela Fiat Toro, de porte semelhante e que, em pouco tempo se tornou a líder desse novo nicho de utilitários. Ainda assim, por seu bom custo-benefício e por outras qualidades, a Oroch seguiu sendo a escolhida por uma parcela de compradores que, se pode ser comparativamente pequena em comparação aos volumes de vendas da principal rival, tem sido o suficientemente significativa para mantê-la sempre entre os 10 comerciais leves mais vendidos no país. Em setembro, por exemplo, ela ficou em sétimo, com 1.641 unidades – o que representa 37% do que emplacou a Fiat Toro (4.335).

A Oroch utiliza a mesma plataforma do SUV Duster, e isso explica sua boa dinâmica geral. Alta do chão (mínimo de 212 mm) sem ter uma altura total tão grande (1.634 mm), ela passa uma sensação de estabilidade um pouco acima da média para seu tipo. E a suspensão – que é do tipo multilink na traseira – trabalha bem o suficiente para que a tal estabilidade vá além da mera sensação, sem sacrificar o conforto.

O espaço interno é ok, sem chegar a ser impressionante, mas suficiente para que quatro adultos viagem sem reclamações. E, nessa versão mais completa Outsider, ela traz uma parte dos mimos de recursos e acabamentos que sua irmão fechado (o Duster) recebeu há um tempo, com novos painéis e saídas de ventilação, de desenho mais bacana e caprichado, painel de instrumentos com velocímetro digital e multimídia bem-servida de conectividade sem fio.


Vem com utilidades muito desejáveis, como sensores de chuva e de luminosidade (que ligam farol e limpadores automaticamente em caso de necessidade), comandos elétricos para espelhos, travas e vidros, carregador de celular sem fio.

Seu pacote de segurança inclui os necessários controles de tração e estabilidade e um sistema anticapotamento, mas traz apenas dois air-bags frontais, menos do que suas concorrentes. Também faz falta a regulagem de profundidade do volante (há apenas ajuste de altura), presente no Duster, por exemplo. E, já que estamos na “seção de reclamações”, os faróis não são de LED, o que melhoraria consideravelmente a iluminação, algo importante em um veículo altinho e com pretensões aventureiras – e até um nome de versão que remete a isso.

A melhor parte


O mais bacana na Oroch Outsider 2023, como era de se esperar, é seu desempenho. O motor 1.3 16V TCE, flex turbinado, rende até 170 cv e 27,5 kgfm e funciona muito bem com o câmbio automático do tipo CVT com simulação de oito marchas. Como oferece um bom torque já nas rotações mais baixas, pede pouco acelerador para a maioria das situações, especialmente no trânsito. E, como o carro é bem isolado, ouve-se pouco ruído a bordo. Mesmo quando é preciso (ou desejado) acelerar mais rápido e, para isso, acelerar mais fundo, elevando o giro do motor, a coisa permanece dentro de um nível bem civilizado.

Em minha avaliação, rodei tanto no trânsito algo amarrado do dia a dia carioca, quanto em vias expressas desimpedidas e até em uma pequena viagem de uns 100 km totais. Gostei bastante da reserva de torque da Oroch, que aparece em subidas de serra, por exemplo. De um modo geral, essa é uma das características que a deixam “boa de guiar”, mesmo quando há passageiros a bordo (não cheguei a rodar com carga maior que uma bicicleta). Ágil, “na mão” e bem confortável, ela não me cansou em momento algum.

Senti falta de, nas descidas, poder reduzir as marchas manualmente por borboletas no volante (paddle shifters). Dá para fazer isso usando a alavanca de mudanças no assoalho, pelo menos.


Segundo a Renault, na cidade, o carro consome 1 litro de álcool para cada 7,4 km percorridos (10,5 km com gasolina) e para cada 7,8 km na estrada (11 km com gasolina). Comigo e com gasolina, a média ficou em pouco menos de 10 km/litro. A marca informa que o carro acelera de 0 a 100 km/h em 9,8 segundos, chegando aos 189 km/h de velocidade máxima.

A Renault Oroch Outsider custa hoje R$ 142.900,00 (segundo o site da marca, em 3.10.2022). Isso a coloca junto com versão mais simples da Fiat Toro, a Endurance, que é ligeiramente maior. Mas, embora venha com rodas de aço – as da Renault são (belas) de liga leve – e não conte com alguns mimos, como o sensor de chuva e o de crepúsculo e a fundamental câmera de ré (que a Oroch tem), a Fiat conta com painel inteiramente digital, seis air-bags e outros detalhes ausentes na rival da marca francesa.

Na prática, a Renault Oroch acaba tendo condições de “brigar” melhor com as versões mais caras e automáticas da Fiat Strada, que, embora custem menos, tem menos espaço e motor que ela. E são, também menos divertidas de dirigir, claro, embora esse quesito nem sempre seja importante para quem procura – e tem necessidade – de um carro desse tipo.





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