Que tal o Renault Boreal?
- há 3 horas
- 9 min de leitura
Por Henrique Koifman - fotos HK e divulgação

Passei o Carnaval com o Renault Boreal Iconic, o novo SUV médio da marca francesa fabricado no Brasil e que tem como concorrentes diretos modelos como Jeep Compass, Toyota Corolla Cross, Volkswagen Taos, Chery Tiggo 7 Pro e Ford Territory, sem falar de elétricos e híbridos do mesmo segmento C, de porte e faixa de custo semelhante. Enumero todos esses aí, logo de cara, para mostrar como é espinhosa a missão do Boreal. Rodei com ele em cidade e estrada, e adianto que me surpreendi bem positivamente com seu ótimo nível de conforto, espaço interno, acabamento, equipamentos e desempenho. Se depender dessas suas qualidades, acho até que ele pode se sair bem nessa competição, mas isso, só o tempo dirá. Enquanto isso, confira como foi o test-drive.

Antes, como “notícia de última hora”, informo que esta semana, prosseguindo como seu ambicioso plano de reposicionamento no mercado brasileiro, a Renault lançou também um irmão maior para o Boreal, o Koleos – que é híbrido e chega até nós importado da Coreia do Sul. Falo mais um pouco sobre ambos os assuntos – nova estratégia da Renault e lançamento do Koleos – logo ali embaixo, ok?

Boreal tem motor turbo Renault/Mercedes
O Boreal conta com motor um 1.3 turbo flex, que rende até 163 cv de potência (com etanol) e 27,5 kgfm de torque. Torque esse que parece estar sempre a postos para arrancadas e retomadas em boa medida, sempre suficiente para ganhar ou recuperar velocidade em tempo apropriado e sem gritos ou reações esbaforidas. Esse motor – que também é usado em versões do SUV Duster e da picape Oroch – foi desenvolvido em parceria com a Mercedes Benz e equipa alguns modelos da marca alemã.

O conjunto mecânico se completa com um câmbio EDC, automatizado de dupla embreagem, igual ao do “mano menor” Kardian. Esse câmbio é ultrarrápido, com trocas de marcha no tempo certinho e de modo quase imperceptível. E há borboletas para a troca manual de velocidades, atrás do volante – coisa que uso bastante em viagens, especialmente na descida das serras, e que funciona bastante bem para dosar o freio motor.

E para completar, a suspensão – que nem tem nada de mais em termos de sofisticação tecnológica e usa tradicionalíssimos eixo de torção com barra estabilizadora na traseira – é muito bem ajustada, e deixa o carro sempre bem plantado na pista, sem, no entanto, maltratar seus ocupantes com dureza excessiva.
A boa estabilidade é reforçada com pneus 205/55 de raio 19, largos, mas com perfil alto o suficiente para absorver parte dos defeitos do caminho. Na soma geral, o carro mostrou agilidade – inclusive para subir uma serra em “modo animado” –, passando segurança e uma boa dose de prazer de dirigir. Algo que, confesso, não costumo achar com tanta facilidade em SUVs, altos, pesados e, geralmente, meio amortecidos pela ação dos sistemas de controle de tração e de estabilidade.

Controles e sistemas que estão todos a postos no Boreal, vale dizer. A Renault enumera, orgulhosa, 24 recursos autônomos de segurança (ADAS) embarcados no modelo (veja a tabela com todos eles e a ficha técnica completa, no final do post). Tirando o controle de permanência em faixa e o aviso de ponto cego, confesso que quase não percebi a ação de nenhum deles. Mas sou um motorista comportado e não tenho o hábito de usar o ACC (que controla automaticamente a velocidade e a distância para o carro da frente), a não ser em testes mais específicos.

Boreal é divisor de (novas) águas para a Renault
O Boreal é um carro que nasceu com grandes responsabilidades. A frase, que parece ter sido tirada de um daqueles filmes de super-heróis, se explica pelo atual momento de mudança da Renault brasileira, que está reenquadrando seu cardápio de produtos em uma categoria superior à que vinha disputando. Daí, quem sabe, a ideia de nomear o carro com um adjetivo que indica os oriundos do hemisfério norte – e mais especificamente do ártico, como quem evoca os poderes de alguma entidade viking.

Mas, falando sério, a marca está deixando de concentrar suas fichas em modelos mais simples e baratos, que têm como foco grandes volumes de venda, para se dedicar a outros mais sofisticados e mais caros, que proporcionam maior margem de lucro, sem obrigatoriamente atingirem os primeiros lugares no pódio do mercado.
Assim, recentemente, saíram de linha aqui no Brasil os rústicos Sandero e o Logan – ambos baseados em carros da subsidiária romena da Renault, a Dacia – e chegou o SUV compacto Kardian. E, agora, acima deste, o Boreal. Completando momentaneamente a família, a marca está lançando aqui também o irmão maior deles, o Koleos (veja mais abaixo).

Daí você pode perguntar, mas e o também SUV Duster e sua versão picape, a Oroch, que também têm origem Dacia, e o popularíssimo subcompacto Kwid – este nascido na Índia? Eles não continuam em produção aqui?
Sobre os dois primeiros, ambos receberam melhorias consistentes, para participarem dessa transição sem destoarem muito. Além disso, eles vendem razoavelmente bem e complementam a linha em termos de preço – que nem é tão baixo.

Quanto ao Kwid (ao lado), bem, na prática com apenas um concorrente no momento – o Fiat Mobi –, com bons números de vendas e custos de produção já reduzidos, dá para presumir que vá continuar por aqui por um tempo. Tanto que a montadora já está até preparando algumas atualizações visuais e de equipamentos para isso.
Vale repetir que, na verdade, o primeiro modelo dessa nova fase da Renault produzido e lançado no Brasil foi o Kardian – e, para quem ainda não leu, recomendo os posts que fizemos com diferentes versões desse carro aqui para o Blog, nestes links: versão Iconic, versão manual. Mas, sem dúvida, é seu novo irmão maior que reúne o pacote completo dos argumentos e atributos que a marca francesa nos apresenta para mostrar que, agora, está em outra página, a dos carros de padrão mais alto.

Acabamento e equipamentos
Se por fora as linhas do Boreal já mostram um requinte bem superior ao que estávamos acostumados a ver nos Renault nacionais, por dentro, o contraste é ainda maior. A começar pelo padrão do acabamento, tanto em termos de materiais, quanto de montagem. A combinação de texturas, volumes e o desenho é bem bacana e passa ótima impressão – tanto visual, quanto tátil. Mesmo na fila de trás – onde as portas não contam com áreas acolchoadas (a não ser no apoio para os braços) e as saídas de ar-condicionado e tomadas USB ficam em uma retaguarda menos elaborada do console central –, a impressão que se tem é de grande capricho e qualidade.

Os bancos são bem confortáveis e, coisa rara, os dianteiros oferecem regulagens elétricas tanto para o motorista quanto para o carona. O do motorista conta com memória – útil, pois há um recuo automático para facilitar o embarque, sempre que se abre o carro por fora. A ergonomia é boa e a visibilidade, por vidros e espelhos, também. E, na hora de manobrar, há a visão 360 graus simulada, com câmeras, projetada na tela da multimídia.
Para estacionar, ainda um serviço de apoio, que ajuda a localizar vagas compatíveis e move o volante nas manobras – talvez por pretensão minha, não me habituei a esses manobristas residentes, que me parecem ser sempre mais lentos e excessivamente mais precavidos do que eu. Mas nada contra!

A tela da multimídia se integra visualmente ao painel de instrumentos, totalmente digital e com uma grafismo bem interessante. Senti falta, porém, de uma opção de configuração com simulação de velocímetro e conta-giros analógicos, algo comum em carros desse padrão. Outra coisa que estranhei foi o computador de bordo só registrar uma viagem (trip) por vez. Costumo marcar percursos diferentes, para poder aferir o consumo, por exemplo, mas não pude.

No mais, tudo o que você espera encontrar num carro desse preço – como acendimento automático de faróis e acionamento de limpadores de para-brisa, abertura automática da tampa do porta-malas, equipamento de som premium, entre outras coisas – está lá. E até um pouco mais, como teto solar panorâmico com abertura parcial e massageador para as costas do motorista, que é acionado e regulado através da tela da multimídia.
E, que bom, os acionamentos e regulagens de som e ar-condicionado podem ser feitos todos por meio de botões e teclas, no painel ou nos orbitais do volante. Ali, aliás, além dos botões sobre o guidão e as alavancas laterais para setas, farol alto e limpador, há também um terceiro “apêndice”, como é comum nos carros franceses, especificamente para pilotar a parte de áudio, com um prático disco na parte de trás.

Um pouco menos à mão ficam os botões para acionar ou desligar coisas como o controle de tração e o start-stop, localizados na parte do painel que fica à esquerda do motorista, meio oculto pelo volante. Mas, de resto, a usabilidade geral é muito boa. Os modos de condução, por exemplo, podem ser selecionados por um botão rotativo, junto da pequena alavanca do câmbio.

Como você já deve até estar cansado de ler aqui, acho que a opção “sport” desses sistemas deveria estar sempre em um dos botões do volante – e não em locais em que você precisar tirar a atenção do caminho para poder manuseá-los. Mas, nesse caso, depois de acionar algumas vezes a “pimenta” do Boreal, pela boa posição e funcionamento desse seletor, memorizei o movimento e não precisem mais olhar para ele quando desejava um pouco mais de “energia”.


E então, o Renault Boreal Iconic vale a pena?
Por exatos R$ 214.990,00 (com mais R$ 2 mil, se você quiser um com a mesma cor Azul Mercure desse nas fotos), o Boreal Iconic, versão topo de linha, está bem posicionado entre seus concorrentes diretos, tanto em termos de preço, quanto de equipamentos e recursos. A turminha dos rivais, enumerada lá no primeiro parágrafo, é da pesada, e não por acaso tem agradado uma expressiva quantidade de compradores.
Em seu favor, o Renault Boreal tem o fato de ser o mais novo, trazer o maior pacote de recursos autônomos de segurança e, também, um nível de acabamento e de acessórios um tantinho acima dos demais. Além disso, anda bem, é bom de guiar e cumpre muito bem sua missão de SUV família, com espaço e conforto abundantes. Contra, o fato de ser o primeiro modelo da marca num segmento em que ainda não havia entrado, e no qual Jeep Compass e Toyota Corolla Cross são as principais referências.
Conclusão: se eu fosse comprar um SUV “C”, no mínimo, colocaria o Boreal na minha lista de opções a experimentar.
E eis que chega o Renault Koleos...

Como mencionado, esta semana, a Renault apresentou à imprensa mais um SUV, o Koleos (nas fotos). Ele é maior que o Boreal (tem 4,77 metros de comprimento, contra 4,55 do menor) e importado da Coreia do Sul, ele foi desenvolvido em conjunto com a Geely – que, não por acaso, também está chegando ao Brasil numa parceria com a marca do losango, inclusive para produzir aqui alguns modelos.

Para quem não sabe, a Geely é também a controladora da Volvo e, no caso do Koleos, a plataforma utilizada é a CMA, que também serve de base para carros da marca sueca. O novo SUV é híbrido do tipo “puro” ou HEV – ou seja, não é recarregável a partir de uma fonte externa (nada de ligá-lo na tomada). O carro conta com um motor turbo 1.5 a combustão e dois outros elétricos, todos eles atuando sobre as rodas dianteiras e somando 245cv de potência e 56,1 kgfm de torque
O carro conta com um senhor pacote de recursos de segurança e de conforto, muita tecnologia, mas vou deixar para falar sobre ele em um post específico – de preferência depois de tê-lo guiado também, ok?
Ah, a Renault ainda não divulgou os preços do novo Koleos, que só deve chegar às lojas a partir de abril.
Voltando ao Boreal:

Ficha técnica Renault Boreal (dados do fabricante) | ||||
Arquitetura | Carroceria monobloco, dois volumes (SUV), cinco lugares e cinco portas | |||
Motor | 1.333 cm³, turbo, quatro cilindros em linha, 16 válvulas, injeção direta central (GDI), bicombustível (etanol e/ou gasolina), refrigeração líquida | |||
Tração | Dianteira 4x2 | |||
Potência máxima (ABNT) | 163cv@5.250 rpm(Etanol) 156cv @ 5.000 rpm (Gasolina) | |||
Torque máximo (ABNT) | 270 Nm (27,5 kgfm) @ 1.750 rpm (Etanol) e 270 Nm a 2.000 rpm/Gasolina) | |||
Taxa de compressão | 10.5:1 | |||
Câmbio | Automático EDC (Efficient Dual Clutch) de dupla embreagem úmida com opção de trocas de 6 velocidades via aletas (paddle-shifts) no volante | |||
Direção | Elétrica | |||
Diâmetro de giro | 11,0 m | |||
Freios | Discos ventilados na dianteira (296 mm) e traseira (280 mm ) com sistema antitravamento (ABS) | |||
Pneus/rodas | 205/55 19" | |||
Suspensão dianteira | tipo MacPherson com rodas independentes, amortecedores hidráulicos, molas helicoidais, barra estabilizadora e braços oscilantes inferiores | |||
Suspensão traseira | eixo de torção com barra estabilizadora, rodas semi-independentes, amortecedores hidráulicos e molas helicoidais | |||
Aceleração 0-100 km/h | 9,5 s (Etanol) e 9,8 s (Gasolina) | |||
Velocidade máxima | 180 km/h (limitada eletronicamente) | |||
Tanque de combustível | 50 litros | |||
Consumo (PBEV/INMETRO) | Com gasolina: 11,2 km/l na cidade e 13,6 km/l na estradaCom etanol: 7,8 km/l na cidade e 9,4 km/l na estrada | |||
Peso do veículo em ordem de marcha (PVOM) | 1.438 kg | |||
Porta-malas (VDA) | 522 litros e 1.279 litros com bancos rebatidos | |||
Dimensões | Entre-eixos | 2.702 mm | ||
Comprimento | 4.556 mm | |||
Largura com/sem retrovisores | 2.082 mm/ 1.841 mm | |||
Altura com/sem barras de teto | 1.646 mm / 1.650 mm | |||
Altura livre do solo | 213 mm | |||
Ângulo de entrada | 22,2° | |||
Ângulo de saída | 26,6° | |||
As duas dúzias de recursos autônomos de segurança (ADAS) do Renault Boreal
Controle de velocidade adaptativo com Stop &Go (ACC) |
Frenagem automática de emergência (AEBS) |
Frenagem automática de emergência frontal e em curvas (AEB JA) |
Sensor de fadiga (DDAW) |
Alerta de distância segura (DW+FCW) |
Assistente de permanência em faixa em tráfego contrário (E-LKA OC +RE) |
Assistente de partida em rampa (HSA) |
Alerta de permanência em faixa (LDW) |
Assistente de permanência em faixa (LKA) |
Sensores de estacionamento traseiro |
Câmera de ré (RVC) |
Limitador de velocidade (SL) |
Reconhecimento de placas de velocidade (TSR) |
Alerta de ponto cego (BSW) |
Sensores de estacionamento dianteiro |
Alerta de saída segura de ocupantes (OSE) |
Alerta de tráfego cruzado traseiro (RCTA) |
Assistente de permanência em faixa com intervenção para ponto cego (E-LKA OT) |
Sensores de estacionamento lateral |
Câmera 360° com visão 3D (AVM) |
Active driver assist (LC) |
Farol alto inteligente (AHL) |
Assistente de parada de emergência (ESA) |
Assistente de estacionamento semiautônomo (HFP) |
Fonte: Renault


.jpg)




























Comentários