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GWM Haval GT PHEV: híbrido “às avessas”

Por Henrique Koifman


A GWM acaba de apresentar à imprensa brasileira o seu SUV Haval H6 GT PHEV AWD 2024. Um nome com tantas e números que, antes de ir adiante, vale traduzir: Haval H6 é o nome do modelo; GT quer dizer Gran Turismo – conotação esportiva –; PHEV indica que é um carro híbrido do tipo pulg-in, recarregável “na tomada”; AWD vem de “all wheel drive”, tração das quatro rodas, e o 2024 dá aquela pitada futurística de novidade. Pois tive a oportunidade de conhecer e dar uma curta voltinha esse novo utilitário da Great Wall Motors – nome por extenso da GWM – no autódromo de Interlagos, em São Paulo. É disso que se trata este post.


Comecemos, então, pela parte “dinâmica” do lançamento. Como é um híbrido do tipo plug-in, o H6 GT conta com um motor a gasolina – no caso, um 1.5 turbo de quatro cilindros – e outros dois elétricos, cada um deles instalado sobre um eixo. A GWM só divulgou sua potência total combinada, que é de 393 cv, com 77,7 kgfm de torque. Com esse arranjo, o bicho leva apenas 4,8 segundos para ir de 0 a 100 km/h. Em arrancadas como essa – foi assim que praticamente iniciei meu test-drive –, com o pé cravado no acelerador, todos os motores trabalham para empurrar as suas costas contra o banco.Aliás, essa “pancada” é uma das mais marcantes características dos modelos elétricos, pois todo o torque já está disponível aos primeiros RPM. Despejada nas quatro rodas, essa força é aproveitada da forma mais eficiente (e emocionante) possível.


O bom é que, como pisei e saí feito um doido pela pista (por indicação do instrutor que estava ao meu lado, que fique bem claro), pude também testar a eficiência dos freios uns poucos segundos depois, já praticamente dentro da primeira chicane de cones – que, felizmente não destruí. Uma manobra rápida e algo radical que também serviu para sentir as reações do carro.



Para um SUV grande e pesado, ele se sai bastante bem e é estável – algo que comprovaria nas outras tantas curvas pela frente. Mas é um SUV. E isso quer dizer que você sente no corpo uma certa oscilação e a transferência do peso em arrancadas e frenagens mais fortes. Fiquei lá pensando que esse mesmo pacote de propulsão – ou powertrain, como preferem os poliglotas – deve compor uma verdadeira obra de arte em um sedã ou hatch mais baixinho e que provavelmente deve fazer parte do cardápio da montadora, também.


Ainda assim, as duas voltas na pista foram bem divertidas. O carro oferece sempre uma enorme reserva de força para retomadas e subidas, é bastante confortável e controlável e, embora conte com inúmeros recursos de apoio à segurança, esses anjos da guarda autônomos não se mostram tão intrusivos ao ponto de tirar toda a graça da coisa.



Papéis trocados


O que eu achei mais interessante disso tudo, porém, foi o gerenciamento que o carro faze de seus recursos elétricos e a combustão. Enquanto em boa parte dos modelos desse tipo, os motores a bateria funcionam como uma espécie de complemento para o protagonista a gasolina, no H6 os papéis se invertem.


Dotado de uma bateria de 34 kWh, ele é capaz de rodar até 170 km só no modo elétrico. E o motor a combustão tem como principal função atuar como um gerador, que recarrega essa bateria para que alimente os dois propulsores elétricos. Ele só entra na tração – e apenas nas rodas dianteiras – em situações de grande demanda. Daí que, na grande maioria do tempo, a sensação que se tem é a de guiar um carro elétrico. Inclusive em parte da pista do autódromo e em velocidades mais altas, o que fez de quase todo o percurso uma aventura tremendamente silenciosa (o isolamento da cabine é excelente, aliás).



Pelo padrão do Inmetro, o H6 faz uma média de 27 km/litro, com uma autonomia combinada de até 1.052 km. Mas, na prática, se você rodar apenas distâncias inferiores aos tais 170 km – uma quilometragem diária superior a que a imensa maioria percorre por dia –, vai ter de tomar cuidado para não deixar a gasolina estragar no tanque.


As baterias podem ser recarregadas tanto em fonte de corrente alternada (AC) como de corrente contínua (DC) – algo que geralmente só está disponível nos modelos 100% elétricos. Segundo a montadora, o tempo mínimo de recarga no primeiro tipo (AC, de 0 a 100%) é de cerca de 5 horas e, no segundo (DC, de 10% a 80%) é de cerca de 29 minutos.

Um best-seller na China


O SUV Haval H6 é hoje o modelo de maior sucesso da chinesa GWM em sua terra natal. Daí a empresa, que iniciou recentemente suas operações no Brasil, escolheu esse bem-sucedido utilitário para torna-se mais conhecida por aqui. É importante contar que a montadora não pretende atuar em nosso país apenas como importador, mas também produzir aqui alguns de seus automóveis. Para isso, comprou a antiga fábrica da Mercedes Benz em Iracemópolis (SP), que já se encontra em obras de adaptação para começar a funcionar já no ano que vem. E já está formando uma grande rede de representantes que, segundo afirmam seus executivos, cobrirá todo o território nacional, com mais de 50 pontos de atendimento ainda este ano.


Mas voltemos ao novo GT. Ele é uma das versões do SUV H6 PHEV, que já tinha sido apresentado aos brasileiros no final do ano passado em sua opção Premium. Seu principal diferencial está na aparência que, segundo o pessoal de marketing e vendas da GWM, foi desenvolvida especificamente para o mercado brasileiro.


Olhando por fora, essas características dizem respeito a detalhes pintados em cor escura, como espelhos, spoilers, aerofólio, logomarcas e rodas em liga leve de 19″ pintados de preto; pinças de freio (que é a disco nas quatro rodas) vermelhas e uma pegada geral mais limpa (clean) que a das versões cheias de cromados vendidas aos chineses.


Com porte médio-grande, o H6 tem linhas modernas e bastante equilibradas, que não chamam tanta atenção por sua originalidade, tampouco lembram as de algum outro modelo especificamente. E, no geral, esse desenho e suas proporções passam a tal da “atitude” esportiva que se tenta associar a quase todos os carros desse segmento atualmente.

Como você deve ter concluído pela descrição das duas voltinhas que dei na pista de Interlagos (ainda que entrecortadas por chicanes de cones coloridos), neste caso, a performance combina bem com a pretensão.


Por dentro


Sabe aqueles primeiros carros chineses que chegaram aqui no Brasil há uns 20 anos, que pareciam ser construídos com materiais baratos e que não eram lá muito bem-acabados? Pois basta entrar no H6 GT para apagar essa triste lembrança. Vá lá que o desenho de painéis de portas e mesmo frontal esteja mais para o conservador que para o arrojado – embora passe modernidade por seus recursos. Mas os materiais utilizados aparentam boa qualidade, alternando plásticos emborrachados de diferentes tonalidades, incluindo de padrão de fibra de carbono, com faixas também em suede – um tipo sintético de camurça. Tão caprichado que tive dificuldade de achar uma parte que não fosse acolchoada ali – só identifiquei a tampa do porta-luvas, que abre sob o painel e nem fica visível, para dizer a verdade.



O painel de instrumentos é digital e configurável e há uma grande tela de multimídia, pela qual se pode fazer uma infinidade de personalizações – incluindo a de dois botões programáveis no volante multifuncional, aos quais você pode atribuir funções como o tipo de condução ou um atalho para outras tantas informações ou ajustes. Pela tela, também, é possível ajustar e acompanhar o comportamento dos sistemas elétrico e a combustão que movimentam o carro.

O clima high-tech é reforçado por uma câmera instalada na coluna esquerda do para-brisa. Apontada para o rosto do motorista, ela é responsável pelo reconhecimento facial de até quatro diferentes pessoas pré-definidas, carregando automaticamente a personalização que cada uma delas fez para os ajustes nos sistemas de condução e conectividade do carro. Além disso, essa mesma câmera monitora o cansaço e as eventuais distrações do condutor, fazendo alertas em caso de risco.


No mais, há ali todos os recursos de conectividade, climatização e sonorização que se espera em um modelo de alto padrão – e que peço desculpas por não enumerar aqui, agora, para não tornar esse post um poste. Complemento dizendo apenas que há espaço no banco de trás suficiente para que este seu amigo, que tem 1,87m, consiga até cruzar as pernas sentado atrás do banco do motorista ajustado para ele mesmo. Algo digno de um modelo executivo – uso que, aliás, muitos desses exemplares certamente terão.

Mas quanto custa?


Pelo menos até março, isso é um mistério que os executivos da GWM prometem não desfazer. Mas já é possível fazer uma pré-reserva, tanto deste GT quando do irmão Premium, em uma loja virtual que a marca montou no Mercado Livre. Para isso – sinal dos tempos – basta se inscrever e pagar R$ 9 mil, por pix ou boleto, selecionar uma das unidades disponíveis (elas estão a caminho, em navio), incluindo a cor, e aguardar. Quem, depois de conhecer o preço total, quiser desistir, recebe o dinheiro de volta. Os primeiros carros têm previsão de entrega em abril.


Pelo que pude apurar informalmente, o principal parâmetro da GWM com o H6 é o Toyota Rav4, disponível por aqui justamente em uma versão híbrida, a SX Connect, que sai hoje por cerca de R$ 320 mil. Imagino que, para ganhar mercado, a montadora novata vá oferecer seu modelo por um preço inferior a este, mas que dificilmente será menor do que R$ 300 mil – a menos que a empresa resolva, mesmo, partir para a "guerra", quem sabe? Além do H6, a GWM pretende lançar mais cinco modelos em nosso país, importados ou montados aqui, até o final de 2024.




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