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Test-drive com o Chevrolet Onix RS 2023

Texto e fotos de Henrique Koifman - do blog Rebimboca

Criar versões incrementadas, com uma pegada mais esportiva de modelos com grande escala de produção é um recurso comum na indústria automobilística pelo menos desde os anos 1960. Mesmo que essas séries ou opções especiais não tragam muito mais do que retoques e acessórios estéticos, elas acabam rompendo com a mesmice de carros que vemos aos milhares nas ruas – e, também, se aproximando um pouco mais dos desejos de uma faixa específica de consumidores. Esse é justamente o caso do Onix RS de que falamos neste post, mecanicamente idêntico às demais versões do hatch compacto que está entre os carros mais vendidos do país há tempos – e, por isso mesmo, é figurinha fácil por aí. Mas será que isso basta para fazer dele uma boa compra?




Para começo de conversa, vale mencionar que a tal base mecânica da linha Onix, presente nos modelos de dois e de três volumes (o Plus), assim como em uma das versões do SUV Tracker não é fraca. Seu motor 1.0 turbo de 116 CV de potência e 16,8 kgfm de torque dá e sobra para mover o carro com agilidade e até mesmo alguma diversão. E o melhor é que, casado a um câmbio automático de seis marchas eficiente, faz isso cobrando pouco no posto de abastecimento. Rodando principalmente no trânsito urbano, sem nenhuma preocupação em pisar menos, minha média ficou em 12 km/litro de gasolina.



Por outro lado, é justamente esse equilíbrio eficiente o que mais afasta o RS de uma maior pretensão esportiva. Não que suas trocas sejam demasiadamente lentas, mas não privilegiam uma aceleração mais rápida. São, sim, bem satisfatórias para torná-lo ágil no trânsito, assim como em retomadas e ultrapassagens rodoviárias, mas nada que vá inundar a sua circulação de adrenalina. Segundo a própria GM, o carro vai de 0 a 100 km/h em 10,1 segundos, tempo que, muito provavelmente, uma relação mais curta e um sistema sequencial um pouquinho mais esperto certamente encurtariam.


Mas, mesmo que nada disso fosse alterado, se a possibilidade de trocar manualmente as marchas incluísse aquelas famosas borboletas (os paddle shifters) junto do volante – e não apenas um botãozinho meio escondido na alavanca de direção –, a coisa toda poderia ser bem mais divertida.



Ainda assim, o Onix é um carro muito bem acertado e, com suas rodas de aro 16 polegadas calçadas com pneus de perfil baixo (195/55), faz curva direitinho, passando confiança. Ponto também para a boa direção com assistência elétrica na dose adequada.





Incluindo aí uma posição bem correta para dirigir – embora os bancos dianteiros sejam um pouco estreitos e careçam de um pouquinho mais de apoio lateral –, a ergonomia agradável, a quantidade de ruído do motor que entra mais forte na cabine somente acima dos 3.500 rpm e o tal do visual (do qual falamos em seguida), esse RS é um carrinho gostoso de dirigir.


O ponto alto é mesmo o visual

A atual geração do Onix foi lançada aqui no Brasil em 2019 e conseguiu manter o sucesso da anterior – alternando-se na liderança de seu segmento em boa parte do tempo, a não ser quando a crise no fornecimento de semicondutores obrigou a Chevrolet a diminuir ou até suspender sua produção. Ela pode não ter o estilo mais instigante de sua categoria, mas passa certo arrojo e jeitão contemporâneo, além de oferecer um bom espaço interno.




A dose bem calibrada de customização de fábrica desse RS inclui faróis com máscara escurecida, rodas, teto, colunas e capas dos espelhos grade dianteira pintados de preto e a grade dianteira com um desenho em forma de colmeia. E instala no carrinho um belo aerofólio sobre a tampa traseira, que forma um conjunto bacana com os spoilers da dianteira e da traseira e com as saias laterais.


Do lado de dentro, as forrações têm uma combinação exclusiva para a versão, com os bancos dividindo tecido com material sintético em texturas diferentes, molduras vermelhas nos difusores de ventilação e, também, na mesma cor – só que em LED – contornando o painel de instrumentos – que, de resto é bem simples. O forro do teto também é – adivinhem – preto.



Como o restante da linha, essa versão sai de fábrica com ar condicionado, sensores de estacionamento, central de multimídia, seis air-bags, controles de tração e de estabilidade, travas e vidros elétricos e volante multifuncional, entre outras coisinhas hoje “básicas” para modelos desse preço.


Mas vale a pena?


O Onix RS custa hoje R$ 102.490 (tabela da GM em setembro), pouco menos de R$ 2 mil a mais que o também intermediário LTZ – mais comportadinha no visual, mas que vem com câmera de ré, que precisa ser instalada “por fora” nesta versão. E custa cerca de R$ 5 mil a menos do que a topo de linha Premier – esta, sim, bem mais equipada e a que eu indicaria para quem quer realmente privilegiar o conforto.



Na ponta do lápis (alguém ainda usa? O meu de vez em quando passeia comigo atrás da orelha, para “contas de cabeça”, rs), se você for customizar o Onix com tudo o que esse RS traz de série, certamente vai gastar mais do que o cobrado por ele pronto, com a vantagem de que, vindos de fábrica, todos esses itens tendem a ser mais duráveis e estão incluídos na garantia para a carroceria.


É claro que isso é uma questão de gosto, mas para mim, essas nem tão poucas assim alterações estéticas deixam o Onix bem mais interessante e eu não me incomodaria em pagar um pouquinho mais (em relação ao LTZ) para tê-las num RS. Eu curto.



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