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O Dia do Automóvel



Amanhã, dia 13 de maio, é comemorado aqui no Brasil o Dia do Automóvel. Criada por decreto – o de nº 24.224 – pelo então presidente Getúlio Vargas, em 1934, a data festiva (uma efeméride) supostamente se referiria, também, às estradas de rodagem. Isso porque pouco antes, num outro 13 de maio, em 1926, fora inaugurada a primeira rodovia pavimentada do Brasil, ligando o Rio a Petrópolis. Estabelecer uma data em louvor a carros e estradas certamente teve como propósito festejar e estimular o progresso, naquele sentido mais positivista da palavra e que dava o tom à política e, porque não, às utopias daqueles tempos.



No início dos anos 1930, os carros ainda eram raros em nosso país, especialmente fora dos grandes centros urbanos. E viajar com eles por longas distâncias devia ter, guardadas as “devidas desproporções”, certas semelhanças do que é fazer isso, hoje, com um modelo do tipo EV, puramente elétrico, saindo por aí sem ter certeza de onde – e, mesmo se – encontrará um ponto de recarga para suas baterias.



É, acho que estou exagerando um pouco. Afinal, se um carro elétrico fica sem “combustível” pelo caminho, hoje, dá para ligar para o reboque e ser resgatado, a despeito do aborrecimento. Ou, no mínimo, para pedir ajuda a outros motoristas, que passam aos montes por quase todas as estradas. Fora isso, é muito improvável que um modelo desse tipo tenha alguma pane ou defeito que impossibilite totalmente seu uso – a não ser, claro, pela já mencionada falta de energia. Naqueles tempos, se o automóvel pifasse seriamente – algo bem mais comum do que hoje – a encrenca seria muito maior e mais difícil de contornar.



Associar os veículos ao progresso continuou sendo bem comum ao longo de praticamente todo o século XX. Não por acaso, algumas das imagens mais famosas da implantação de Brasília como capital brasileira mostram a chegada ali, no então longínquo Planalto Central, de uma caravana de veículos vindos de diferentes partes do Brasilzão, um deles tendo o sorridente presidente Juscelino como passageiro. Presidente esse que, também não por acaso, foi um dos maiores entusiastas da indústria automobilística nacional – deixando outros meios de transporte, como ferrovias e navegação de cabotagem em um (hoje polêmico) segundo plano.




Segundo um levantamento publicado no ano passado pelo IBGE, <https://cidades.ibge.gov.br/brasil/pesquisa/22/28120> circulam atualmente pelos caminhos do Brasil mais de 115 milhões de veículos registrados, dos quais quase 60,5 milhões são automóveis e 25,7 milhões são motocicletas. E, hoje, a despeito de crises econômicas e períodos de insegurança política, estamos vivendo o início de uma importante transição em relação a essas máquinas todas.

Aos poucos – e isso não tem volta –, vamos saindo do domínio absoluto dos motores a explosão movidos por derivados de petróleo para a combinação deles com outros, elétricos, e também para combustíveis alternativos e mais sustentáveis, como o álcool, a gasolina sintética e o hidrogênio.



É bem verdade que tudo isso já começa a despertar alguma nostalgia. Eu sou daqueles que já sentem saudades do som e do comportamento dos carros empurrados por grandes motores V8, beberrões e ambientalmente insustentáveis. Por outro lado, essa transição traz com ela um pouco daquele espírito lá do começo dos automóveis e do que, de certa forma, deu o mote para que se criasse o seu dia aqui no Brasil.



As perspectivas de termos carros muito mais eficientes, sustentáveis, seguros e econômicos, têm, pelo menos para mim, um gostinho bom de utopia – algo que, em outros campos, anda até fora de moda nesses nossos corridos e concorridos dias.



Como presente comemorativo, vai aí uma Kombi - ícone "viajandão" dos automóveis, para quem quiser (e puder) montar com uma criança - que pode perfeitamente ser ele ou ela mesmo.

Feliz Dia do Carro (e boas utopias) para todos.






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